Geral

Doma ‘sensível’ amansa bezerros em cinco dias

Luiz Galano
| Tempo de leitura: 2 min

Castigos e violência física não são as melhores táticas para se amansar um cavalo ou touro selvagem. Durante toda a semana, dez profissionais de fazendas de Bauru, da região e de Minas Gerais participaram 3.ª edição do curso de Doma Zebu sem a ação da força, realizado no Recinto Mello Moraes, por iniciativa da Associação Paulista dos Criadores de Nelore (APCN) e da Associação Brasileira dos Criadores de Ovinos (Arco), com apoio do Ministério do Desenvolvimento Agrário.

Os alunos do curso confessaram que sentiram os resultados da nova experiência, totalmente diferentes da prática que costumavam ter no trato com os animais na fazendas onde trabalham. Em cinco dias, eles conseguiram amansar bezerros selvagens com técnicas que priorizam a compreensão do animal e a troca de sensibilidade entre domador e animal, ao invés da força.

Valdemir da Silva, domador de 21 anos, que trabalha na Fazenda Santa Mãe Admirável, de Duartina, não poupa elogios ao curso. “É muito diferente do jeito que fazíamos antes. Usávamos muita força e isso judiava do animal. Isso não é preciso”, conta.

Já Cleber Aparecido dos Reis, funcionário da Fazenda Mandi, de Barretos, acredita que os resultados serão melhores na prática, após o curso, que o fez perceber novas nuanças. “Antes, a gente não se atentava muito para as reações do animal. Agora, sei que elas dizem muita coisa”, ressalta.

Para o experiente instrutor do curso, Eduardo Borba que trabalha na área há 35 anos, o “novo” trato com os animais é uma tendência mundial. “Os criadores que visam o mercado de exportação precisam se atentar que, cada vez mais, os países europeus prezam pela baixo índice de estresse dos animais para comprar a carne”, revela o domador, que trouxe dos Estados Unidos a técnica da doma consciente.

Ele defende que os criadores e pecuaristas precisam se envolver no processo da doma dos seus animais. “Os funcionários prezam muito pela palavra do patrão. E, quando ele está ciente de que judiar do animal não é a maneira mais eficaz de se fazer a doma, e dá o exemplo ao funcionário, as coisas podem funcionar ainda melhor”, opina.

Segundo Borba, o mais importante para um domador é compreender o momento de cada animal. “Quando o boi ou o cavalo se sente ameaçado, o seu instinto de proteção se aflora e esse não é um bom momento para agir. Existe o momento certo de ensinar. O segredo é a compreensão, a sensibilidade e a troca”, alega.

De acordo com a zootecnista da APCN, Ângela Bittencout, a nova maneira de manejo traz benefícios tanto para o domador quanto para o animal. “Um não sofre violência, portanto reduz-se o índice de estresse. Já o outro corre menos perigo de sofrer acidentes”, destaca.

Comentários

Comentários