A vida, direito garantido pela Constituição, mostra-se frágil e vulnerável diante dessa sociedade que prioriza e respeita esse direito fundamental do homem. A dádiva de ser mãe é um dos sonhos mais desejados pela maioria das mulheres. O mistério onde um espírito faz a escolha de outro, representado na vida física, como a mais importante de nossas vidas: mãe e filho. Porém, alguns desejos não se tornam realidade quando uma mulher deve carregar em seu ventre materno um feto sem cérebro, sem vida. Essa é a discussão do Congresso Nacional pelo projeto de Lei Número 4360 do ano de 2004.
Banalizar é sentir indiferença em relação a alguém ou a alguma coisa. Com este Projeto de Lei, os deputados do Congresso mostram-se desinteressados em entender a decepção e a tristeza de um casal ao receber, na décima segunda semana de gestação, a notícia que seu filho, tão esperado, não sobreviverá. Mesmo assim, na opinião destes poderosos egoístas eleitos para estabelecer uma Lei, a mãe deve continuar com aquele bebê por mais trinta e seis semanas.
O Congresso Nacional, nessa discussão dúbia e infrutífera, banaliza a vida da mãe ao obrigá-la a carregar um feto que não terá vida fora do corpo dela e que poderia gerar outro filho. Além disso, a mãe corre riscos como a probabilidade de desenvolver hipertensão, ter um parto distócico, ou ainda, morrer no parto. O aborto é um ato ilegal, uma agressão. Mas, no caso de bebê com essa anomalia congênita do sistema nervoso central, diversos médicos recomendam-no, pois não existe nenhuma possibilidade de sobrevida. Como se sentem as mães face à crueldade? De que forma enfrentam as balas perdidas, os homens-bomba, a saída sem retorno? Por onde se perdeu a segurança, o direito, a dignidade humana? E o sentido literal da vida?
Bárbara Martins Pereira, estudante