Longe de ser uma campeã de fraudes em caixas eletrônicos, Bauru vai demorar para receber os primeiros terminais equipados com sensores para leitura de mãos ou olhos dos usuários. Por enquanto, as máquinas de alta tecnologia, comuns em filmes de ficção científica, estão reservadas a grandes metrópoles, como São Paulo e Rio de Janeiro.
Os três maiores bancos privados do País, Bradesco, Itaú e Unibanco, há alguns anos investem altas cifras em tecnologias que visam combater fraudes a saques de dinheiro. O Bradesco sai na frente. Segundo a assessoria de imprensa da instituição, cinco desses caixas tecnológicos já estão em operação na grande São Paulo.
A empresa japonesa Fujitsu desenvolveu um sistema que lê e captura a imagem do padrão vascular da palma da mão do usuário, tecnologia batizada de Palm-Secure pela insituição. Em combinação com as já utilizadas senhas alfanuméricas, chaves de segurança e frases secretas, que hoje tornam as operações um tanto demoradas, o mapeamento das veias da mão do cliente servirá como senha complementar para o usuário, utilizada toda vez que ele desejar acessar o terminal eletrônico.
De acordo com a assessoria de imprensa do Bradesco, o sistema está em teste, mas em breve poderá ser disponibilizado nos 24 mil caixas eletrônicos da empresa espalhados pelo Brasil. No entanto, não existe nenhuma previsão de que a tecnologia seja disponibilizada em Bauru, segundo a instituição.
A atitude da empresa parece ser coerente. Segundo o titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), Silberto Sevilha Martins, o índice de casos de fraudes em caixas eletrônicos na cidade é praticamente nulo.
“Essa atividade é comum em grandes centros e em regiões de alto índice de circulação de pessoas, onde o ritmo de vida das pessoas é mais rápido. Com a pressa, acontecem descuidos e é nesse momento em que os criminosos se aproveitam”, explica Martins, que também ressalta as dificuldades impostas pela atuação da polícia, que tem mais possibilidade de reprimir, em curto espaço de tempo, crimes desse tipo ocorridos em cidades menores.
No entanto, o delegado alega que existe a possibilidade de que as quadrilhas atuantes na capital possam, eventualmente, migrar para cidades do Interior.
Amauri Roma, coordenador do Procon em Bauru, revela que o órgão de proteção ao consumidor recebe, ao mês, a média de uma reclamação ligada a problemas com caixas eletrônicos. “Não é algo que causa grande preocupação. A maior quantia perdida em fraudes do gênero, registrada por nós, chegou a pouco mais de R$ 1 mil em Bauru”, conta.
“Os bancos são obrigados, por lei, a garantir segurança para os seus usuários durante as operações. Tecnologias como esta deixarão todos mais confiantes”, completa.
A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa do Itaú, que confirmou o desenvolvimentos de tecnologias semelhantes à implementada pelo Bradesco, mas não revelou mais detalhes. Já o Unibanco não atendeu a solicitação do JC. No entanto, existem informações de que o sistema de segurança complementar desenvolvido pela instituição faz o reconhecimento do globo ocular.