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Dr. Automóvel: Instalação de acessórios

Consultor: Marcos Serra Negra Camerini*
| Tempo de leitura: 3 min

Antigamente (isto quer dizer de 15 anos para trás...) instalar um acessório elétrico ou eletrônico no carro era a coisa mais simples do mundo. Bastava ter capricho nos recortes e acabamentos, instalar o equipamento, puxar os fios positivo e negativo, colocar o interruptor, fusível e pronto. Os equipamentos tinham uma potência razoável, porém ainda dentro do normal, digamos assim. E tudo funcionava direitinho, sem grandes problemas.

Hoje em dia os carros estão repletos de eletrônica embarcada, cheios de sensores, chips, chicotes resistivos e uma parafernália de equipamentos interconectados entre si. Claro que ficaram bem mais sofisticados e eficientes, mas isto também trouxe um inconveniente: sua manutenção ficou mais complexa, apesar de menos freqüente.

O grande problema é que diversos acessórios passaram a depender de uma instalação mais cuidadosa e profissional, pois como diversos sistemas estão interligados, interromper um fio para ligação direta de um equipamento extra pode acarretar no mau funcionamento em diversos outros, antes de operação independente.

É bem comum vermos o que acontece com esta fobia de instalação de alarmes em veículos. Alarmes de boa procedência e instalados por profissionais treinados oferecem uma boa proteção ao veículo, mas tem due ser um instalador consciencioso e bem equipado, com qualificação e treinamento na fábrica do equipamento a ser instalado, e não qualquer lojinha de esquina que se diz “instalador de som, alarmes e insulfilm”, que, aliás, proliferam por todo lado na cidade. Qualquer comerciante de acessórios compra os alarmes e acha que sabe instalá-los, e saem vendendo um serviço de baixa qualidade. É comum vermos carros com alarme disparando sem que ninguém os houvesse tocado, apenas por estarem expostos ao sol. Por que disparam então? Mau contato nos fios, vidros mal fechados, curto-circuito por fios desencapados ou mal isolados, enfim, um monte de problemas. Sem contar a falta de treinamento do feliz proprietário no manuseio do novo brinquedo. São apenas 3 ou 4 botões no controle remoto que com dezenas de combinações possíveis oferecem 148 funções, do tipo “aperte o primeiro botão uma vez e o terceiro botão duas vezes para ativar o sistema tal...”, e por aí vai. Ninguém usa mais do que duas ou três funções, como travamento e destravamento das portas, fechamento dos vidros, ligar e desligar o alarme, e não muito mais do que isso. O resto só serve para perturbar o sossego alheio. Chego a pensar que alarme só pega o dono, pois o ladrão sabe desligá-lo direitinho...

Mas isto não é tudo. A má instalação de acessórios pode interferir nos circuitos eletrônicos do carro, seja por interferência eletromagnética ou por alteração no circuito lógico original do sistema. Pode ocasionar mau funcionamento do motor por interferência no sistema de injeção, aumentando o consumo e prejudicando o desempenho. Um dos sistemas mais sensíveis à interferência é o painel de instrumentos, que pode dar leitura errada de medidas como o nível de combustível no tanque, por exemplo, sem falar dos velocímetros eletrônicos, que podem mostrar uma velocidade diferente da real e induzir a uma multa ou acidente. Equipamentos de som e vídeo hoje têm uma potência enorme e demandam um chicote próprio para suportar toda a corrente necessária, mas só os bons instaladores se preocupam com isso. Os picaretas instalam o novo CD player com um baita amplificador, ligados a enormes alto-falantes espalhados pelo carro, tudo com a fiação do rádio original... perigo de incêndio na certa. Lembre-se que um carro aceita ser transformado de diversas maneiras, mas todas com critério e conhecimento. Aconselho sempre a procurar um técnico treinado, que pode custar um pouco mais caro mas o serviço é garantido e não prejudicará o seu carro. Valorize o bom profissional.

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Sugestões para a coluna e perguntas à seção Correio Técnico devem ser enviadas ao e-mail automerc@jcnet.com.br ou à redação do Jornal da Cidade, na rua Xingu, 4-44, Higienópolis. É obrigatório informar nome completo, RG, endereço e contato (telefone ou e-mail).

* Marcos Serra Negra Camerini é engenheiro mecânico formado pela Escola Politécnica da USP, pós-graduado em administração industrial e marketing e engenharia aeronáutica, com passagens como executivo na General Motors (GM) e Opel. Também é consultor de empresas e assina uma coluna na revista Quatro Rodas Nitro. Seu site é www.marcoscamerini.com.br.

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