Carros entalados, peças quebradas, rodas desalinhadas e até ossos fraturados. Os buracos de Bauru continuam fazendo muitas vítimas nas ruas. Os mais perigosos se escondem logo após cruzamentos, quando o motorista tenta virar em uma esquina e acaba se deparando com a cratera, não conseguindo evitar o acidente. Outros, de longe parecem pequenos e rasos, mas quando o motorista percebe, a roda já ficou presa na vala. Por mais que a prefeitura turbine as operações tapa-buraco, as crateras continuam colocando bauruenses em situação de risco.
Na Vila Giunta, os motoristas que estão na rua Bernardino de Campos e tentam virar na rua Agostinho Sanches dão de cara com o “abismo”. Uma cratera que atravessa a rua, com profundidade e largura suficientes para causar um acidente grave, ao lado de outro buraco bastante grande formam uma verdadeira armadilha aos motoristas.
Cansado de reunir os vizinhos para retirar carros que caem no buraco, o morador Geraldino Fogaça de Almeida sinalizou a cratera com tubos de PVC e uma plaquinha com a palavra “abismo” escrita. Antes de colocar a advertência, Almeida lembra que passou boa parte de uma noite, há um mês, sinalizando o buraco com uma lanterna, alertando os motoristas sobre o perigo.
“Em menos de um mês que o buraco está aí, tiramos pelo menos três carros que caíram dentro dele. Então, eu sinalizei para evitar que alguém se machuque”, conta. O trabalho de Almeida conta com o apoio de vizinhos. Um deles, que está reformando a residência, despejou entulhos de construção para tampar algumas crateras da rua. “É perigoso mesmo para quem está a pé. Se cair no buraco, pode quebrar alguma cosia”, avalia Conceição Aparecida Gonçalves, vizinha da cratera.
Pedestres
Já na quadra 1 da rua Francisco Ministro Zani, Vila Nova Celina, uma vala se abriu rente ao meio-fio. Para piorar o problema, o buraco fica bem em frente a um ponto de ônibus. Sem alternativa, o coletivo ou pára no meio da rua, ou bem depois da sinalização. Para os irmãos Gustavo e Renato Fernandes Freitas, que esperam ônibus no local, o buraco é um problema constante. “Já faz um tempão que ele está aqui. A prefeitura vem e tampa, mas na primeira chuva, já era”, conta Renato. Já Gustavo parece não se impressionar com a cratera. “Na esquina de cima tinha uma bem maior”, aponta.
No Núcleo Geisel, um buraco aparentemente pequeno que esconde uma grande vala teve de ser sinalizado pelos moradores com galhos de árvores para que não acontecessem mais acidentes.
Localizada na quadra 15 da rua Benedito Ribeiro dos Santos, a cratera cresce a cada chuva. “Há alguns dias, um motoqueiro caiu no buraco. Ele se ralou no chão, mas conseguiu ir embora”, lembra a moradora Celina Camargo. Recentemente, um motorista registrou boletim de ocorrência denunciando que quebrou o cárter de seu carro numa cratera da quadra 51 da Nações. O buraco já foi tapado pela prefeitura.
Além de dar prejuízo aos bolsos dos motoristas, os buracos também prejudicam os pedestres. No final de janeiro, uma moradora da Pousada da Esperança caiu dentro de um ônibus que fez um movimento brusco para desviar de uma cratera. Ela quebrou em seis lugares o polegar da mão esquerda, além de lesionar as costas e a cintura.
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Tapa-buracos
O diretor de divisão de pavimentação da Secretaria Municipal de Obras, Osmar Alves, afirma que todas as equipes de tapa-buraco estão trabalhando pesadamente. “As equipes chegam a fazer três viagens diárias. Além disso, a do recape está trabalhando nas ruas do Geisel”, enumera Alves.
Segundo o diretor, uma equipe de tapa-buracos está atuando na rua Benedito Ribeiro dos Santos. “Começou na altura da avenida Cruzeiro do Sul. Logo os funcionários estarão arrumando o buraco da quadra 15”, garante. Sobre as crateras das ruas Agostinho Sanches e Francisco Ministro Zani, o diretor afirmou que iria pessoalmente verificar o problema e colocaria esses buracos na programação das equipes.