JC Criança

Alunos que são 10

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 5 min

Hoje é domingo, e provavelmente ninguém está pensando que amanhã é o começo de mais uma semana de aula, com tarefas a serem cumpridas, trabalhos para entregar e, quem sabe, uma prova surpresa que a professora resolveu aplicar para testar como está o desempenho dos alunos. É exatamente por causa dessa prova surpresa que você está lendo este texto, em pleno domingo.

Existem vários tipos de alunos, do mais calado ao mais bagunceiro, do estudioso ao desleixado, mas uma coisa é certa, na hora da prova todos, sem exceção, gostariam de ter prestado atenção à aula ao invés de conversar com o coleguinha do lado ou mesmo de ouvir a última música do RBD ou aproveitar a aula de matemática para aprimorar sua técnica naquele joguinho do celular.

É por causa disso que alguns alunos possuem essa capacidade especial de prestar atenção no que a professora diz na sala de aula e absorver o que foi dito, para não sofrer na hora do exame. Não que eles sejam “CDFs”, pelo contrário, alguns até confessam que se desligam um pouco do que está acontecendo na escola, mas, por outro lado, eles conseguem ter um desempenho acima da média de seus colegas.

É o caso de Gabriela Purini Chermont, que aos 10 anos afirma conseguir se concentrar nos estudos enquanto está na escola, para quando estiver em casa aproveitar melhor o tempo livre, sem precisar se afundar nos livros. Ela conta que foram poucas as vezes em que tirou notas ruins, por causa dessa facilidade em guardar o que é dito na sala de aula. “Não costumo estudar em casa. Só faço as tarefas mesmo”, diz Gabriela, que quer ser professora de educação física e é fã de ciências, história e geografia.

Tirar notas boas também é normal para Sérgio Eduardo Motta, de 9 anos, que gosta de matemática, mas não é muito fã de língua portuguesa. O segredo, segundo ele, é ficar atento no que a professora diz, apesar de confessar que às vezes não presta atenção na aula, mas nada que não seja compensado com uma espiada nos livros quando está em casa. Mesmo assim, para Sérgio, a melhor maneira de tirar notas boas é ficar atento e, se perder alguma coisa na aula, compensar na hora de fazer o dever de casa.

Outro exemplo é Luciana Fiori Villaça, de 10 anos. Ela afirma que só estuda quando tem dúvidas, porque na maioria das vezes consegue gravar na memória o que foi ensinado. Luciana, que também é fã de matemática, mas não gosta muito de ciências, diz que o segredo das boas notas não é estudar muito, mas ficar atenta. “É melhor prestar atenção e deixar para estudar quando tem dúvidas”, explica.

Mesmo com esses exemplos, é bom lembrar que nem sempre só prestar atenção na aula rende boas notas. Não são todos os alunos que conseguem guardar a matéria, por isso sempre é bom tirar um período para estudar, como faz Lucas Rochel, de 10 anos.

Assim como seus colegas, Lucas cursa a 5ª série no Colégio Fênix, mas confessa que não costuma prestar muita atenção na aula, então precisa estudar para se dar bem nas provas. “Eu compenso em casa, quando não presto atenção”, conta Lucas, que gosta das aulas de judô, mas não curte matemática. Como vai à escola no período da tarde, Lucas afirma que estuda e faz as tarefas na parte da manhã. A noite é reservada para se divertir.

Já Matheus Murilo Paulucio Carrion prefere combinar as duas coisas: prestar atenção na aula e tirar um tempo para estudar em casa. O período de estudo fora da escola é reservado às matérias que ele gosta menos.

Matheus afirma que a hora de estudar em casa não é tão puxada. “Às vezes eu fico mais tempo, outras vezes eu estudo menos, para poder fazer outras coisas”, explica. A matéria favorita: matemática. Nada mal para quem quer ser engenheiro mecânico.

Apesar de serem alunos com bom desempenho na escola, o perfil de Gabriela, Sérgio, Luciana, Lucas e Matheus não se enquadra na figura do “nerd”, aquele que só quer saber de estudar e deixa a vida social de lado. Pelo contrário, eles afirmam não terem problemas de relacionamento com os colegas de classe pelo fato de tirarem notas boas.

E até justificam, dizendo que a maioria da turma possui bons alunos, mas entregam: quando alguém tira nota ruim, ninguém fica sabendo.

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O segredo do sucesso

As coordenadoras pedagógicas do Colégio Fênix, Rosemeire Alves Lourenço e Adriane Folks, afirmam que os alunos contaram o segredo para ir bem na escola: prestar atenção na aula. De acordo com elas, quem consegue absorver o que as professoras ensinam na sala de aula vai para casa tranqüilo e não precisa se enterrar nos livros. Mas elas destacam outras dicas para quem quer ser um “aluno nota 10”. Uma delas é perguntar sempre que tiver dúvidas. Para as pedagogas, se o aluno sai da aula com dúvidas, dificilmente vai conseguir tirá-las na hora de estudar em casa. “Se tem dúvida, o melhor é perguntar para o professor, para que fique resolvido”, ressalta Rosemeire. Outro segredo para se dar bem é fazer todas as tarefas, seja na sala de aula, seja em casa. Segundo as coordenadoras pedagógicas, é importante que os alunos sejam aplicados na hora de realizar os trabalhos, não deixando para depois o que pode ser feito na hora da aula. Da mesma forma, elas indicam que não é bom deixar para fazer o dever de casa na sala de aula, pois pode atrapalhar o desempenho do aluno.

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Acompanhamento

Além de prestar atenção às aulas e fazer o deve de casa, é fundamental que os pais estejam sempre presentes e participem da vida escolar dos alunos. Criar uma rotina de estudo é um dos pontos mais importantes para ajudar no desempenho na escola. “Tem que ter horário de estudo. Chegou em casa, almoçou, descansou, deve pegar a tarefa e fazer. Isso vai criando o hábito do estudo no aluno”, explica Rosemeire Alves Lourenço, coordenadora pedagógica do Colégio Fênix.

No entanto, não é apenas pegar os livros e cadernos, sentar no sofá, em frente à TV, ou com o som no último volume e tentar estudar. É preciso criar um clima para fazer as atividades, ter um local com ambiente apropriado para estudar. Sem esse ambiente apropriado, não adianta se debruçar nos livros, porque a matéria não vai ficar gravada na memória e aí, sem nota 10.

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