Duas pessoas morreram afogadas ontem em um acidente ocorrido durante a travessia da balsa que faz o transporte de veículos no rio Tietê, na passagem entre as cidades de Arealva e Itaju (78 quilômetros de Bauru). O funcionário da balsa Sérgio Fernandes, 44 anos, se afogou ao tentar socorrer o condutor de um veículo que caiu no rio.
O acidente ocorreu na madrugada de ontem, entre 4h e 5h. Claudinei Leão, 38 anos, condutor do veículo Ford Escort azul, placas KQZ 5859, de Bauru, atravessou a extensão da balsa, de cerca de 40 metros de comprimento, e acabou caindo no rio Tietê. Os corpos das vítimas foram encontrados no final da tarde de ontem, por volta das 16h20, e encaminhados para exames necroscópicos em Jaú, segundo informações da Polícia Civil de Itaju.
Segundo o JC apurou, antes do acidente ocorrer o condutor do veículo estaria dormindo dentro do automóvel - na margem do rio, em Itaju - enquanto aguardava a chegada da balsa que estava vindo da margem oposta, em Arealva, para buscá-lo.
De acordo com o relato do motorista da balsa à polícia, assim que a mesma encostou na margem do rio, em Itaju, o condutor do veículo, possivelmente, teria acordado e, achando que já estivesse em cima da balsa, acelerou o veículo, atravessando a extensão da balsa e caindo na água em seguida.
Tentativa de socorro
Dentro do rio, o condutor teria conseguido sair do carro. No entanto, o funcionário da balsa Sérgio Fernandes, ao perceber que Leão não conseguia segurar a bóia que ele havia jogado, acabou mergulhando para socorrê-lo. No desespero, o homem teria agarrado o pescoço de Fernandes, o que teria provocado o afogamento de ambos.
Fernandes trabalhava na balsa há 14 anos, segundo informou sua irmã Ana Lúcia Fernandes, que ontem à tarde estava no local aguardando o resgate do corpo junto com outros familiares.
Policiais do Corpo de Bombeiros de Jaú, entre eles um mergulhador, realizaram as buscas pelos corpos ao redor do ponto onde o veículo foi encontrado por volta das 11h45. O automóvel foi guinchado da água e levado até um pátio, em Bariri.
Emerson Rossi de Abreu, 23 anos, morador de Itaju, disse à reportagem que chegou a conversar com o condutor do Escort na noite anterior, depois das 23h30. Segundo ele, o condutor teria pedido informações sobre como chegar até a cidade de Bariri. Abreu relata que, naquele momento, o condutor parecia em estado de sonolência e, inclusive, estaria conduzindo o automóvel de forma irregular.
“Ele disse que queria ir para Bariri. Eu perguntei de onde ele era e ele falou que era de Bauru. Eu expliquei para ele como chegar lá, mas eu vi que ele estava meio esquisito, abria e fechava o olho enquanto conversava comigo”, relata Abreu, explicando que chegou a segui-lo até a saída de Itaju para garantir que encontrasse o caminho. Ontem, no entanto, o jovem disse ter ficado surpreso ao ver o veículo do homem ser retirado de dentro do rio.
Fernandes, segundo relatou sua irmã, morava no bairro São Pedro, em Arealva. Ele deixa esposa e três filhas mulheres, sendo uma criança de 3 anos, uma adolescente de 16 e outra maior de idade.
Esta não foi a primeira vez que um acidente na travessia fluvial entre Itaju e Arealva foi registrado. Segundo o cabo Avoleta, da Polícia Militar (PM) de Itaju, são comuns acidentes no local.
O último em que houve vítima fatal teria ocorrido há mais de dois anos, quando um veículo Brasília teria afundado junto com a sua condutora no momento em que ela tentava entrar na balsa.
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Fatalidade
O acidente que resultou na morte de duas pessoas na balsa que liga Arealva a Itaju, na madrugada de ontem, foi uma fatalidade. Mas também, mais um aviso sobre problemas de segurança e sinalização no local. A opinião é de Juliana Campos, jornalista que utiliza freqüentemente a travessia do rio Tietê por balsa para visitar parentes na região.
“O homem que estava com o carro parado na beira do rio, do lado de Itaju, esperava a balsa, e quando a balsa chegou ele não acordou. Então, o funcionário foi alertar para a saída da balsa no carro e consta que o motorista estava dormindo, por isso, não avistou a chegada do equipamento de travessia. O funcionário o acordou e retornou para o embarque, quando o carro atravessou toda a plataforma e caiu no rio”, descreve Campos.
Ela conta que, infelizmente, não é a primeira vez que acidentes como esse ocorrem no local.
“O funcionário da balsa deve ter se desesperado e pulou no rio para tentar evitar o afogamento da pessoa que estava no carro, mas morreu junto. Já teve outro caso de queda de veículo de cima da balsa. Eu passo lá toda semana e o encaixe da balsa na plataforma é deficiente. A sinalização também não existe e à noite ocorrem furtos no local, do lado de Itaju”, amplia a jornalista.