São Paulo - As fortes chuvas sobre a Capital paulista causaram 24 pontos de alagamento ontem. Até à noite, 17 pontos continuavam alagados, 9 deles intransitáveis, segundo dados do Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE). O motorista não passava pelas vias Tiradentes, Cavoa, Professor Francisco Morato, Morumbi, Ricardo Cavatton, Valdermar Ferreira, Marques de São Vicente, Marginal Tietê e Ascendino Reis.
A marginal Tietê registrou um ponto no sentido centro/bairro, a 400 metros da ponte do Piqueri. Na Tiradentes, o problema estava no sentido Santana, na altura da Avenida do Estado. Na Rua Cavoa, nas imediações da Avenida Marechal Tito, o problema começou às 16h e atingia as duas pistas. Na Francisco Morato, altura da avenida dos Três Poderes; na Morumbi, perto da Avenida Comandante Adibo Ares; e na Rua Ricardo Cavatton, na altura da Rua Hugo Dantona. Na Avenida Valdemar Ferreira, na altura da Romão Gomes; e na Marques de São Vicente, na altura da praça José Vieira de Mesquita. A Avenida Professor Ascendino Reis também alagou e o motorista enfrentou problemas na altura do viaduto Onze de Julho em ambos os sentidos.
A chuva que atingiu a cidade ocasionou a suspensão de pousos e decolagens no aeroporto de Congonhas (zona sul de São Paulo) das 16h40 às 17h40. Técnicos monitoraram a quantidade de água acumulada na pista até que os vôos pudessem ser realizados. Sempre que a lâmina de água ultrapassa 3 mm (um milímetro equivale a um litro de água por um metro quadrado), a pista principal deve ser fechada, conforme um determinação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
O objetivo da medida é evitar que aviões derrapem. Às 19h, 20 vôos registravam atrasos no aeroporto. Nesta semana, serão iniciadas reformas na pista auxiliar do aeroporto, que é utilizada em até 12% dos vôos diariamente. As obras, previstas para começar amanhã, devem durar 120 dias. Após os trabalhos, a pista principal também deverá ser reformada.
Nordeste
As chuvas que atingiram a região Nordeste provocaram a morte de seis pessoas nas últimas 72 horas. Um bebê e um homem morreram no Ceará e quatro integrantes de uma mesma família morreram no Piauí. A chuva deu trégua ontem às regiões afetadas na sexta-feira, mas, de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a previsão para esta semana é de pancadas de chuvas isoladas. No Ceará, Vitória Crispim, de quatro meses, morreu por hipotermia (diminuição da temperatura do corpo), na sexta-feira. Ela foi atingida por goteiras enquanto dormia na casa em que morava, no Parque Genibaú, em Fortaleza.
De acordo com o tenente-coronel Sérgio Gomes, do Corpo de Bombeiros, a chuva que atingiu Fortaleza na sexta-feira foi, apesar da curta duração, a mais forte registrada no ano. Apenas nas primeiras 12h da sexta-feira, a Defesa Civil cearense registrou 115 ocorrências, entre desabamentos e deslizamentos de terra. Anteontem, o corpo de Francisco Patrício de Medeiros, 20 anos, que estava desaparecido desde sexta-feira, foi localizado pelos bombeiros. Ele foi arrastado pela correnteza do rio Maranguapinho, em Fortaleza, após tentar limpar um bueiro entupido que estava provocando a inundação de sua rua, no Parque São Miguel.
Já no Piauí, um deslizamento de terra em Teresina matou João Francisco dos Santos, Evanildes da Silva e as duas filhas do casal, de quatro e seis anos, também na sexta-feira. Eles dormiam no momento do acidente, ocorrido durante a madrugada. Outro filho, de 12 anos, conseguiu escapar. A família vivia em uma casa de taipa perto de um barranco, que desabou com o deslizamento. O local, conhecido como Vila da Paz, é uma área de risco ocupada irregularmente por cerca de 150 famílias, segundo a Prefeitura de Teresina. A prefeitura disse que vinha tentando retirar os moradores do local.