O comercial da modelo do momento que dirige o carro. E aquele outro da morena de olhos verdes que só sai com homens que fumam o cigarro. O anúncio da loira famosa segurando o cartão de crédito. E é claro: a propaganda da gostosa que é fã da cerveja. A mídia está inexoravelmente apelando ao erotismo feminino como forma de vender produtos. Propagandas voltadas ao público masculino ganham gradualmente curvas, seios, e pouquíssima roupa.E as crianças? E os homens e mulheres de senso crítico que também gozam do direito a uma mídia não agressiva aos valores morais? Perderam seu espaço para o capitalismo? Ou serão forçados a aceitar que os novos produtos da moda são as mulheres?
Órgãos como o Conar - Conselho Nacional de Auto-regulamentação Publicitária - tomaram e tomam medidas para vetar o abuso do apelo sexual em propagandas. Nada que o famoso jeitinho brasileiro não consiga abrandar com estrondosa habilidade. Realmente, preocupar-se com mulheres desnudas em comerciais no país do mensalão, das sanguessugas e dos valériodutos pode parecer supérfluo. Mas não é! Na briga pela igualdade dos sexos, o homem-objeto ganhou uma concorrente à altura: a mulher-produto. Se não houver ética e respeito nem na programação televisiva que invade nossas casas diariamente, vamos então cruzar os braços e nos tornar mais um a integrar o exército do aceitismo no “país do oba-oba”.
Juliana Priscila Faria de Carvalho