Tribuna do Leitor

Apenas um sorriso


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Era um homem bem sucedido. Um ótimo profissional. As inúmeras derrotas ao longo de sua miserável infância o fizeram lutar por uma condição de vida mais favorável. Conseguiu os carros importados de última linha e a casa dos sonhos de qualquer um.

Aos poucos, no entanto, sua obsessão por melhorias acabou por torná-lo um homem apático e fechado. Logo ele se preocupava apenas consigo mesmo. Mal tinha tempo e sequer vontade de festejar as vitórias dos outros ou perecer diante das desgraças alheias. Com o tempo, poucas pessoas lhe dirigiam a palavra. Não que ele fosse mal, mas a sensação que os outros tinham era de que estavam lidando com alguém completamente vazio, sem sentimentos, sem emoções.

Foi numa noite de chuva forte, quando ele recebeu um telefonema inesperado, que faria desabar todo o seu mundo construído com tanto esforço: perdera o emprego, por falta de relações sociais. Percebeu, então, que não tinha amigos. Afastara-se de sua família há muito tempo e, agora, não havia ser algum que pudesse consolá-lo. A grande quantia de dinheiro que o afortunara, de nada lhe servia. Não lhe trazia aconchego, tampouco felicidade.

Saiu na rua, pouco se importando com a chuva que batia com violência em seu rosto. Tropeçou no asfalto e caiu na sarjeta. Viu, então, que uma moça simples, mas muito bonita, abaixou-se com seu guarda-chuva e o levantou com cuidado. Sorriu sem discrição alguma e aconselhou-o que não ficasse ali na rua. Despediu-se gentilmente e foi embora.

O homem, outrora carrancudo e fechado, sentia-se estranho. Não fazia frio apesar da chuva. Era como se o gelo que o recobrira durante anos finalmente se derretesse. Quão grande era o poder de um sorriso! Daquele sorriso, que nada lhe custou, mas que valeu toda a sua vida, libertando-o da autodestruição.

Natália Mariê Nakata, estudante

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