Domingos Medina, de saudosa memória, trabalhava como oficial de gabinete do prefeito em meados da década de 80. Exercia com competência extraordinária a função. Calmo, brincalhão, sabia como ninguém encaminhar os munícipes para as repartições competentes com a finalidade de solucionar as pendências que lhe eram apresentadas. Certo dia, uma senhora grávida, com uma criança no colo e acompanhada por uma escadinha de mais quatro ou cinco filhos, insistia que queria falar com o prefeito e que somente este poderia resolver seu problema.
Medina pegou a caixa de fósforos, tirou um palito, colocou-o no canto da boca, sentou e ficou de olho na mulher. Irritado desde a noite anterior, quando perdera meia dúzia de “cerva” para o Edson Francisco, em uma disputa de “jogo de palito”, queria resolver logo a questão da mulher. Levantou e arriscou:
- Minha senhora, já lhe disse que o prefeito não veio hoje, está de cama com uma gripe muito forte.... diga o que precisa....
- Tô percisando de leite pras crianças... tá tudo cun fomi...uma jurdiação... o prefeitu percisa me judá...
Medina colocou a mão no bolso, de onde tirou uma nota que entregou para a mulher:
- Taí... minha senhora. Compre o leite para seus filhos. Só acho ruim uma coisa...
- O quê o sinhô acha ruim?
- Na hora de fabricar as crianças você não lembra do prefeito... mas na hora que os “bichinho” fica com fome... corre aqui... eta sacanagem!!!
Antonio Pedroso Júnior/www.chineloneles.blog spot.com