Articulistas

Esforços conjuntos


| Tempo de leitura: 2 min

O esforço para melhorar a escolaridade do brasileiro continua insuficiente, como mostram dados divulgados recentemente, segundo os quais o percentual de analfabetos adultos que passaram a freqüentar escola ou curso de alfabetização variou pouquíssimo, para vergonha nacional. Em 1981, apenas 1% tinha começado a estudar; catorze anos depois, em 2005, o percentual subiu um pouco, passando para desencorajadores 3,2%. De acordo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 14,6 milhões de pessoas com mais de 15 anos (ou 11% da população adulta) continuam não sabendo ler e nem escrever.

Por essa razão, todas as iniciativas nessa área – sejam por parte da administração pública, das empresas ou do 3º Setor – são extremamente bem-vindas. Nesse sentido, o Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) orgulha-se de comemorar, em 2007, dez anos de criação do seu Programa de Alfabetização e Suplência Gratuita de Adultos que beneficiou perto de 50 mil pessoas.

O CIEE não alcançou esses resultados sem ajuda. A parceria com empresas privadas foi - e continua a ser - vital para o sucesso da proposta, que conta com a adesão de grandes organizações sensibilizadas para o problema, como o Grupo Carrefour, Allergan e a Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô). Por intermédio desses acordos são atendidos funcionários e a comunidade nas empresa se insere.

Além de ser uma significativa demonstração de responsabilidade social, vale a pena destacar um outro fruto do projeto, que oferece oportunidade para que estudantes estagiários de Letras, Magistério e Pedagogia atuem como alfabetizadores, devidamente supervisionados por uma equipe pedagógica. Aliás, com um dividendo adicional: ao competir por um posto no mercado de trabalho, o candidato exibe um trabalho de forte conotação social, como este. Afinal, poucas ações de inclusão social são mais meritórias do que ajudar jovens e adultos a desvendar o mundo das letras e dos números.

O CIEE acredita na soma e canalização de esforços como o caminho para que o país encontre a solução desse urgente problema. Por isso, vale destacar outra iniciativa, divulgada há pouco tempo nos jornais e que colabora com a melhor qualificação dos professores. O Bradesco e a Fundação Bradesco realizaram o Projeto Educa + Ação, com o objetivo de capacitar 65 professores e diretores de escolas públicas municipais de oito cidades do Vale do Ribeira, uma das regiões mais pobres do estado de São Paulo. Após o curso, os mil alunos das escolas de Registro, Juquiá, Jacupiranga, Eldorado, Iguape, Sete Barras, Pariquera-Açu e Cajati também foram beneficiados, com o recebimento de livros pedagógicos.

O autor, Luiz Gonzaga Bertelli, é presidente executivo do CIEE, da Academia Paulista de História – APH e diretor da Fiesp

Comentários

Comentários