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Conservador deixa diretoria do BC

Folhapress
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Brasília - Apontado como o mais conservador da diretoria do Banco Central e responsável pela política de juros altos praticada nos últimos anos, o diretor de Política Econômica da instituição, Afonso Bevilaqua, pediu demissão anteontem alegando “motivos pessoais”, depois de quase quatro anos no cargo.

O presidente do BC, Henrique Meirelles, disse que a alteração na sua equipe não mudará a condução da política monetária, apesar de pressões do próprio governo.

Professor da PUC do Rio de Janeiro, tradicional reduto de economistas ortodoxos, Bevilaqua era o principal alvo dos críticos que, dentro e fora do governo, reclamavam da demora do BC em reduzir os juros.

A saída de Bevilaqua já era esperada pelo mercado, mas o momento do anúncio surpreendeu, já que tanto Meirelles quanto Bevilaqua afirmaram que mudanças na diretoria só seriam efetuadas depois que o presidente Lula confirmasse o nome da pessoa que comandaria o BC no seu segundo mandato - o que ainda não ocorreu.

A saída também ocorreu uma semana após o economista Paulo Nogueira Batista Jr., desafeto de Bevilaqua e amigo do ministro Guido Mantega (Fazenda) ter sido nomeado para representante do Brasil no Fundo Monetária Internacional (FMI). O diretor do BC também era cotado para o cargo. Beviláqua negou que isso tivesse pesado na sua decisão.

Bevilaqua será substituído pelo diretor de Estudos Especiais do BC, Mário Mesquita, que, por enquanto, irá acumular as duas diretorias dentro da instituição.

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