Tribuna do Leitor

Adeus à esquina dos rapazes


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Tempos atrás, nem lembro quando, escrevi uma crônica intitulada “Os rapazes da esquina”, encantada com a assiduidade feliz de vários senhores de meia idade ao Bar do Canela, bem na esquina da Araújo Leite com a Padre João. Ali eles se reuniam fielmente todos os dias, contando anedotas de seu tempo, cantarolando, sorrindo, discutindo futebol e política, tudo na maior alegria e descontração. Os rapazes da esquina adoraram a crônica e o proprietário, Canela, mais que dono um anfitrião, fez emoldurar a cópia do texto e a pendurou na parede, orgulhosamente. Em agradecimento, a rapaziada de cabeça branca me presenteou com uma bela cesta de café da manhã que muito me comoveu.

Dizem, porém, que houve quem discordasse, achando que a minha crônica incentivava aqueles senhores a passar horas no bar jogando conversa fora e bebericando suas cervejas, rodeados de amigos, ao invés de ficar em casa de chinelos, na frente da TV, como é esperado de quem se aposenta...

Agora, aquela tradicional porta da esquina fechou. De “point” que era para os rapazes da melhor idade, agora vai ser apenas mais um item do folclore bauruense, talvez um futuro artigo do “Bauru Ilustrado”, mas os mais jovens nunca poderão entender o que aquele Bar e Mercearia significou durante mais de 30 anos. Para que outra esquina irão agora os rapazes? Onde levarão suas lembranças dos bons tempos? O jeito é pedir a Deus que o Canela recupere a saúde o mais depressa possível, para que ele e sua esposa Maria possam reabrir seu salão de recepções enfeitado de quitutes, frutas e verduras, com mesinhas na calçada, para alegria de todos nós que amamos as coisas boas de Bauru.

Vânia Figueiredo - Trovadora da UBT/Bauru e membro da Academia Bauruense de Letras

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