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Sanduíche Bauru: 70 anos de gula

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 4 min

Há 70 anos, o estudante de direito Casimiro Pinto Neto ditava ao sanduicheiro Carlos, funcionário do bar Ponto Chic, da Capital, sua invenção mais famosa: o sanduíche Bauru. A receita criada em 1937 levou como nome o apelido de Casimiro, Bauru, e é mantida até hoje como um dos principais atrativos do bar paulistano, que no próximo dia 22 completa 85 anos, e também do bauruense Skinão, que há 35 anos serve o sanduíche na cidade.

Ninguém sabe ao certo o dia e o mês, que o sanduíche foi criado, nem o próprio Casimiro se recordou quando José Carlos Alves de Souza, atual proprietário do Ponto Chic - bar tradicional do Largo Paissandu, em São Paulo, onde o lanche foi criado – perguntou. “Ele me disse: sei que foi em 1937, agora, dia e mês, eu não me lembro”, conta Souza. Na edição histórica do Jornal da Cidade de comemoração dos 110 anos do aniversário de Bauru, uma reportagem especial de Eliane e Zarcillo Barbosa cita uma tarde de abril como referência para a invenção do sanduíche.

Em Bauru, Fernando Mantovani, um dos idealizadores do Projeto Bauruzinho, promete estudar atividades especiais para o aniversário de 70 anos do sanduíche. “Assumimos a tarefa de cuidar com responsabilidade e carinho desse patrimônio da população bauruense. E os 70 anos do sanduíche entrou na nossa programação”, conta. Como não existe uma data oficial da criação do lanche, uma das alternativas é caprichar na realização da Festa do Sanduíche Bauru, que há dois anos é comemorada junto com o aniversário da cidade, no dia 1 de agosto.

O secretário de Desenvolvimento Econômico, Walace Garroux Sampaio, conta que ainda não existe programação especial para o septuagésimo aniversário do lanche, mas lembra que a terceira edição da Festa do Sanduíche Bauru de 2007 já está sendo planejada. “Ano passado vendemos cerca de 6 mil sanduíches, arrecadamos aproximadamente R$ 25 mil e toda a verba foi revertida para as instituições de sociais que trabalharam na festa”, conta. As cinco entidades foram indicadas pela Associação das Entidades Assistenciais.

Skinão

Foi só a partir de 1971 que o sanduíche Bauru começou a fazer sucesso na cidade que lhe emprestou o nome. Naquele ano, José Francisco Júnior, o famoso Zé do Skinão, inaugurou o seu bar no Centro e passou a servir a receita original do sanduíche. Ano passado, em nova esquina, nos Altos da Cidade, o Bar do Skinão, comandado por Marquinhos, filho do pioneiro, festejou os 35 anos do estabelecimento com várias promoções. Para celebrar os 70 anos do sanduíche que fez a fama do bar, Maria Lúcia Vieria Francisco, esposa de Marquinhos, promete mais festa. “Um dos projetos é comemorar os 70 anos do sanduíche junto dos 36 anos do Skinão”, diz.

De acordo com o jornalista Luciano Dias Pires, o sanduíche Bauru tornou a cidade conhecida até no Exterior. “Mas é uma pena que algumas cidades acrescentem outros ingredientes à receita”, lamenta.

A cidade tratou de homenagear Casimiro colocando o seu nome - com a grafia errada - no viaduto da Rodovia Marechal Rondon sobre a avenida Nações Unidas. Em São Paulo, o inventor do lanche mais famoso do bar do Largo Paissandu foi imortalizado pelo artista italiano Luiz Morroni, com um busto esculpido em bronze, exposto na parede dos fundos do Ponto Chic.

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Memória

Na página que o bar Ponto Chic, da Capital, mantém na Internet, está o relato do próprio Casimiro sobre o dia que teve a idéia de rechear um pão francês sem miolo com queijo derretido, rosbife, tomate e picles.

“Era um dia que eu estava com muita fome. Cheguei para o sanduicheiro Carlos e falei: Abre um pão francês, tira o miolo e bota um pouco de queijo derretido dentro. Depois disso o Carlos já ia fechando o pão eu falei: Calma, falta um pouco de albumina e proteína nisso, (eu tinha lido em um opúsculo livreto de alimentação para crianças, da Secretaria de Educação e Saúde, escrito pelo ex-prefeito Wladimir de Toledo Pisa, também freqüentador do Ponto Chic - que a carne era rica nesses dois elementos) bota umas fatias de roast beef junto com o queijo e já ia fechando de novo quando eu tornei a falar: Falta vitamina, bota aí umas fatias de tomate”.

Quando eu estava comendo o segundo sanduíche, chegou o Quico (Antônio Boccini Jr), que era muito guloso e pegou um pedaço do meu sanduíche e gostou. Aí ele gritou para o garçom, que era um russo chamado Alex: Me vê um desses do “Bauru”.

Os amigos foram experimentando e o nome foi ficando. Todos quando iam pedir falavam: Me vê um do “Bauru” e assim ficou o nome. (Fonte: www.ponto chic.com.br)

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