Polícia

Fazendeiro é morto com tiro na nuca

Por Luciana La Fortezza | Colaborou Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Um tiro na nuca matou ontem à tarde o fazendeiro José Roberto Figueiredo Pereira Cassiano, 64 anos, na entrada dos Sítios Reunidos Santa Maria, na altura do quilômetro 353 da rodovia Marechal Rondon, na zona rural de Bauru. A polícia trabalha com a hipótese de latrocínio - roubo seguido de morte. Uma maleta preta, que Cassiano sempre carregava e que conteria dinheiro, desapareceu.

O pecuarista era dono da Fazenda Água Parada, de cerca de 400 alqueires e com 3 mil cabeças de gado, onde permanecia quando vinha para Bauru fazer negócios. Cassiano morava em São Paulo. Ontem, cerca de duas horas antes da morte, a vítima fez contato por telefone com o capataz da fazenda, informa o capitão Valter Luís Sales Gonçalves, comandante da 4ª Companhia da Polícia Militar (PM).

Pela manhã, o fazendeiro passou por um frigorífico da cidade para fazer negócios. Depois, ele teria ido ao banco. Um funcionário da propriedade relatou à PM que Cassiano ligou de uma agência bancária, onde fazia transações financeiras. A suspeita da polícia é que o fazendeiro tenha sacado dinheiro para pagar os funcionários da fazenda – ontem era o terceiro dia últil do mês, período de pagamento – e ele costumava pagar os trabalhadores em dinheiro.

Porém, não havia estimativa de quanto de dinheiro estava na valise. O crime ocorreu próximo à propriedade do fazendeiro. No início da tarde, Cassiano foi achado já morto dentro de sua caminhonete S 10 placas KBU 2874, no meio do mato, ao lado da estrada vicinal que dá acesso aos Sítios Reunidos Santa Maria e à fazenda.

A caminhonete chegou a bater em uma árvore, o que indica que o motorista perdeu o controle do veículo. O delegado Silberto Sevilha Martins, titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), que apura o crime, conta que tudo indica que Cassiano foi baleado enquanto dirigia, o que explica o fato de a S 10 ter batido, e que se trata de latrocínio, crime cuja pena varia de 20 a 30 anos de reclusão.

Porém, o delegado não adiantou se tem pistas sobre a autoria do crime para não atrapalhar as investigações. A reportagem apurou que a tese é que o ladrão – ou ladrões – atirou no fazendeiro e, quando o veículo parou após bater na árvore, pegou a valise que conteria dinheiro. “As portas da caminhonete estavam abertas e não há indicativo que foi por causa da batida”, comenta o delegado titular da DIG.

Segundo informações do 2º Distrito Policial (DP), o vidro de trás do automóvel tinha uma perfuração à bala, na altura da cabeça do motorista. Outras perfurações foram verificadas: três na porta do motorista e outra na lanterna esquerda. Ao todo, seriam seis projéteis de pistola nove milímetros, arma de uso restrito.

Segundo o capitão Válter, cápsulas foram encontradas a 60 metros de onde a caminhonete parou. Populares encontraram o fazendeiro morto e acionaram o Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) para informar um aparente acidente de trânsito. Uma viatura do Corpo de Bombeiros, que estava nas proximidades, foi a primeira a chegar ao local. Segundo Valter, quando os bombeiros chegaram, a vítima já estava morta. Posteriormente, o local foi isolado.

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Planejado?

Há vários elementos em torno da morte do fazendeiro José Roberto Figueiredo Pereira Cassiano, 64 anos, que podem indicar que se trata de um crime planejado. Um deles é o local onde ele foi morto: uma estrada vicinal de pouco movimento de veículos e pedestres, condições mais seguras para o ladrão (ou ladrões) não ser visto.

Outra é a arma utilizada. Um pistola 9 milímetros, de uso restrito das Forças Armadas. Trata-se de um armamento também encontrado no mercardo clandestino, bastante usado por integrantes do crime organizado.

A reportagem apurou que o fazendeiro tinha hábitos simples e costumava viajar de São Paulo a Bauru de ônibus, porém já teria, em outras ocasiões, contratado segurança pessoal. Ele traria dinheiro de São Paulo para pagar os funcionários da fazenda, o que seria de conhecimento de todos os seus empregados.

Ieda Rodrigues

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