Massa cósmica em evolução que como uma nebulosa movimenta-se em espaço delimitado e definido, as arquibancadas do estádio Alfredo de Castilho, misteriosamente envolta em prazer e sofrimento,onde sob o fascínio da magia do futebol,essa massa se aquece e se inflama.
E com a fricção dos corpos: bola, homem e grama gera emoção e tensão, momento em que essa matéria explode na comoção do gol, fenômeno analisado pelos “filósofos” das rádios e tvs, que o define como: é fogo no boné do guarda, tá no filó, não adianta chorar e tantas outras frases de igual “profundidade filosófica”.
É ignorância, é covardia, um repórter de campo querer definir com palavras a emoção de uma torcida de futebol, ele, o repórter, não teria a ousadia necessária para penetrar na alma daquele rodamoinho de gente, um repórter de radio é muito racional para entender o que transcende a frieza do concreto armado, para perceber a beleza que é derramada nas escadarias que circunda a arena, quando aquele lençol humano vai se desfraldando sobre as cadeiras inerte do estádio que se transforma em olimpo, onde os deuses torcedores reinam absolutos por uma eternidade de noventa minutos, a torcida ressoa e reflete a beleza que se passa dentro das quatro linhas, a torcida é a instancia máxima do espetáculo. Quanto ao gol? Ele já foi definido como um mero detalhe
Lázaro Carneiro