Cuidados com a instalação do GNV
Há três semanas escrevi sobre o GNV e nesta semana muitos me perguntaram sobre os reais problemas de instalação do equipamento em veículos. Principalmente após o surgimento de oficinas ainda não credenciadas pelo InMetro que se propõem a instalar o equipamento. Não vamos acusar ninguém sem provas, mas é sabido que existem no mercado aqueles “profissionais” que se acham os bons do pedaço, que pensam saber tudo sobre mecânica; outros realmente sabem, têm experiência comprovada, mas ainda não tem a licença para trabalhar com gases comprimidos ou os equipamentos de segurança para manuseá-los e instalá-los, ou ainda falta apenas a homologação para o início da atividade. Eu considero que todos estão errados e, infelizmente, o ser humano pensa antes no seu bolso do que nos outros.
O GNV é um gás altamente inflamável e que chega ao posto extremamente comprimido a 200 bar, cerca de 100 vezes a pressão de um pneu médio. Dos reservatórios do posto, ele deve ser drenado lentamente para o cilindro no veículo, baixando a pressão para algo em torno de 10 bar (1 bar equivale a 14,7 libras por polegada quadrada, ou seja, um pneu convencional é calibrado com cerca de 2 bar de pressão, ou 29 libras, para se ter uma idéia), portanto a pressão 5 vezes maior que a de um pneu.
O problema é que toda esta pressão passa por tubos e válvulas de controle e de redução, e já pensou se o serviço não for bem feito e acabar trincando um tubo destes? Os tubos homologados pelo Ipem e pelo InMetro foram testados exaustivamente e aprovados em testes de fadiga e de durabilidade pelos fabricantes e somente então foram homologados para instalação no usuário final. A sua tecnologia e processo de fabricação garantem que ele cumprirá todas as exigências técnicas durante sua vida útil, sem falhas. Será que o mesmo se pode esperar de um tubo parecido, mais barato, mas não homologado? Não dá para arriscar.
Em Bauru ainda não há nenhuma oficina oficialmente homologada para a instalação de GNV veicular, mas já tem gente instalando e filas nos postos de reabastecimento. Será que todo mundo instalou o equipamento fora da cidade ou está só de passagem por aqui, entrou só para reabastecer? Penso que cada um faz o que bem entender desde que, se der besteira, seja o único prejudicado.
O problema que sempre bato de frente é que existem “espertinhos”, que burlam acintosamente qualquer lei para levar vantagem, mesmo que possam colocar a vida dos outros em perigo. Furam sinal vermelho, não respeitam placas, instalam engates para proteger o pára-choque (ai...!), estacionam onde for mais conveniente, principalmente em vagas de deficientes que estão mais próximas da entrada, e por aí vai.
Para salvar uns trocadinhos (que depois gastam com besteiras como cigarros e coisas do gênero), abusam da segurança do seu carro, não se importando se colocam ou não a vida dos outros em perigo. Fico contente com a atuação das polícias civil e militar na fiscalização e repressão aos maus profissionais que só visam lucro rápido e enganam aos clientes não técnicos. É para estes leitores leigos que escrevo, em linguagem simples e direta, sem engenheirês em demasia.
Quero alertá-los para que não sejam enganados pelos inescrupulosos do mercado da mesma forma que quero exaltar o trabalho do bom profissional, do verdadeiro mecânico e não do trocador de peças. Às oficinas que pretendem instalar o GNV, escolham uma boa marca de equipamento, treinem os funcionários, equipem-se com ferramentas e equipamentos de segurança e busquem a homologação adequada. Aos que já fizeram todas as etapas do processo, mas ainda aguardam o simples papelzinho da homologação, que tenham um pouco mais de paciência para poder trabalhar em conformidade. Não sou juiz de ninguém, mas a quem me perguntar, saberei qual indicar e qual não.
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* Marcos Serra Negra Camerini é engenheiro mecânico formado pela Escola Politécnica da USP, pós-graduado em administração industrial e marketing e engenharia aeronáutica, com passagens como executivo na General Motors (GM) e Opel. Também é consultor de empresas e assina uma coluna na revista Quatro Rodas Nitro. Seu site é www.marcoscamerini.com.br.