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Se meu Fusca falasse


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Käfer, Coccinelle, Escarabajo, Maggiolino, Fusca, Beetle, Bug. Seja qual for o idioma utilizado, o Volkswagen Sedan é um daqueles automóveis que dificilmente passam sem despertar emoção. Para alguns um projeto arcaico, para outros um projeto eterno, feito para durar, o Fusca foi feito, a principio, a pedido de Hitler a Ferdinand Porsche, no início da década de 1930. Porsche desenvolveu um projeto na sua própria garagem, em Stuttgart, na Alemanha.

O primeiro projeto do Fusca, foi lançado em 1935 e era equipado com um motor dois cilindros, refrigerado a ar - que tinha um rendimento péssimo -, sistema elétrico de seis volts, câmbio seco de quatro marchas (até então só se fabricavam carros com caixa de câmbio inferiores a 3 marchas).

A partir daí as evoluções foram constantes: sistema de freios a tambor, caixa de direção tipo “rosca sem fim”, evoluções estéticas como quebra vento, lado de abertura da porta (no início a porta abria do lado oposto), saída única de escapamento, estribo, entre outras.

Em 1936, já reformulado, com bastante semelhanças com o Fusca de hoje, o Volkswagen Sedan era equipado com duas pequenas janelas traseiras; em 1937, já existiam 30 outros modelos sendo testados na Alemanha. E a partir de 1938 iniciou-se a construção, em Hanover, de uma fábrica onde Fusca seria construído na forma de fabricação em série.

Com o fim da Segunda Guerra Mundial, a fábrica que estava sendo construída em Hanover foi quase inteiramente destruída. Seus projetistas, ninguém sabia por onde andavam, até que um major inglês redescobriu o Volkswagen. Ivan Hirst, resolveu “adotar” o velho modelo e, entre os escombros da antiga fábrica, a versão original passou a ser reaproveitada.

No Brasil, o Fusca começou a ser fabricado em 1959 e ganhou adeptos. Em 1986, a VW parou de fabricar o modelo, retomando em 1993, mas abandonando definitivamente a produção do Fusca em 1996.

Apesar de se passarem mais de dez anos desde sua “extinção”, o Fusca continua despertando paixões entre os brasileiros. É o caso da administradora Cláudia Regina da Cunha Taira Comin, dona de um Fusca 1974 (ano em que o veículo foi mais vendido no Brasil) . Ela conta que é apaixonada pelo carrinho desde criança, quando, ao lado das bonecas, colecionava miniaturas de fuscas.

Cláudia conta que o modelo 74 foi comprado há quatro anos por pouco mais de R$ 2.000,00. Com todos os itens originais e o motor ‘em ponto de bala’, a jóia desperta cobiça de outros motoristas, mas a administradora alerta. “Não vendo mesmo”, diz, contando que chegou a receber proposta do presidente da Ebara, empresa em que trabalha, que esteve recentemente no Brasil. “Ele queria levar para o Japão”, conta.

Além da economia, Cláudia destaca que tem uma relação de amor com o carrinho. Segundo ela, é como se fosse parte da família, já que foi o primeiro carro de sua vida, e ela não pretende se desfazer dele tão cedo.

O analista de vistoria prévia Oscar João Puttini também tem um caso de amor com seu Fusca 1977, também com todos os itens originais de fábrica. Apesar de ter dirigido outros carros, Puttini conta que sempre volta ao bom e velho Fusca, que tem sua preferência por ser acessível e econômico. “No momento não trocaria por outro carro”, garante.

O analista também prefere os modelos mais antigos do carrinho. Segundo ele, a “nova gereção”, fabricada entre 1993 e 1996, quando a VW retomou a produção do Fusca no Brasil, não é tão boa quanto a antiga. Os principais problemas apontados por Puttini são com relação à potência do motor. De acordo com ele, os novos Fuscas forma produzidos com motor 1600, que para o analista são bem inferiores – em termos de potência – do que os antigos com motor 1300.

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