Parte dos homens presos ontem por não pagar pensão alimentícia concordou em conceder entrevista à reportagem, desde que não fossem identificados. A maioria aponta o desemprego como estopim para o problema.
“Eu acho que tem que pagar (a pensão), mas não tenho condições. Estou sem (trabalho), só faço bico e de vez em quando. Eu nunca mais vi (a mãe do filho dele e a criança). Fiz um acordo com o rapaz que mora com ela e ele disse que eu não precisava mais pagar”, conta.
Já um outro jura que não desembolsará nem um centavo com a ex-mulher, nem que tenha que passar o mês inteiro na cadeia. “Fiz dois boletins de ocorrência porque ela rouba (furta) a minha casa. Da primeira vez, levou eletroeletrônicos. Da segunda, até panelas. Agora que vou ficar fora, ela vai limpar minha casa”, garante.
Um terceiro rapaz ficou surpreso com o mandado de prisão porque afirma estar pagando a pensão, cujo valor foi elevado. “Faltava só a diferença. Eu já tinha acordado com o advogado de pagar em duas vezes”, comenta ele, que também está desempregado.
Mais surpreso ainda estava um quarto homem, desempregado desde julho do ano passado. “Estou com aluguel e todas as contas atrasadas, mas não sou bandido. O valor da pensão é de R$ 710,00. É muito alto. Eu tenho pressão alta, estou sem os remédios aqui e não tenho como pagar. Não respeitam trabalhador, só bandido perigoso, matador”, conclui.
Aline Cristina Goes de Araújo também considera uma injustiça o marido dela ser preso por não pagar pensão para a ex-mulher. “Eles são bem de vida. Meu marido estava desempregado. Conseguiu emprego no início desse mês. Agora vai faltar comida (em casa)”, diz.