Nacional

Justiça de Nova York indicia Maluf

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - O promotor de Justiça Robert Morgenthau, de Nova York, anunciou ontem o indiciamento do deputado federal Paulo Maluf (PP-SP) e de mais quatro acusados de desviar US$ 11, 6 milhões de obras públicas de São Paulo para um banco americano.

De acordo com um comunicado oficial da Promotoria Distrital de Nova York, após serem desviados para os EUA, os fundos foram transferidos para uma conta bancária em nome de Maluf no paraíso fiscal das ilhas Jersey, no Canal da Mancha. “Quando foi prefeito da cidade de São Paulo, Paulo Maluf e seus cúmplices saquearam os cofres da cidade e utilizaram Nova York como rota de saída para enviar os fundos desviados para jurisdições ‘offshore”, onde acreditavam que estariam a salvo da detenção.

Os indiciamentos de ontem são um sinal de que não permitiremos que Nova York seja usada como rota de procedimentos criminosos, não importa se onde eles se originem”, diz Morgenthau. Além de Maluf, também foram indiciados seu filho Flávio Maluf, o diretor financeiro de uma empreiteira que estaria envolvida no esquema de desvio de verbas, Simão Damasceno de Oliveira, o contador da mesma empresa, Joel Guedes Fernandes, e Vivaldo Alves, que efetuaria transações financeiras no mercado negro, segundo a Justiça de Nova York.

As investigações apontam que os desvios tiveram início durante o mandato de Maluf como prefeito de São Paulo, de 1993 a 1997, e continuaram nos anos subseqüentes, durante os quais os acusados criaram um esquema de desvio de verbas públicas de São Paulo. Maluf teria utilizado sua posição para empregar amigos e aliados que facilitariam o esquema.

Segundo o comunicado, o desvio envolveria a construção da avenida Águas Espraiadas, na zona sul de São Paulo. Para movimentar o dinheiro desviado, Maluf teria recorrido a pagamentos em dinheiro e a transmissões de fundos por meio de operações “doleiros” para as contas controladas pelo grupo em Nova York.

Parte dos fundos teria sido transferida para uma conta na agência do Banco Safra localizada na 5.ª Avenida, que era mantida sob o nome de “Chanani”, mas era controlada por Maluf.

Comentários

Comentários