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Atriz se destaca como Elizabeth II

Por Bruno Yutaka Saito | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Não estranhe se, depois de assistir a “A Rainha”, que estréia hoje nos cinemas de Bauru, você começar a olhar de maneira diferente a soberana Elizabeth II, quando ela surgir na TV. É como se depois da ficção, ela se tornasse mais “verdadeira”, humana, irritante, frágil até.

Esse é apenas um dos efeitos que a impressionante atuação de Helen Mirren, 61 anos, no papel-título do filme de Stephen Frears, causa nos espectadores. Pelo papel, a atriz, “rainha do teatro britânico” e uma das principais do cinema inglês, já levou 22 prêmios. Sua vitória no Oscar como melhor atriz do ano era certa. Mas por que sua atuação foi tão badalada?

Para citar um exemplo, em determinada altura do filme, vemos a impenetrável rainha saltando do carro que atolou em um lago, colocando os pés na água e pedindo ajuda ao celular. Cenas como essa, que levam o espectador a detalhes mundanos de uma figura que vive reclusa nos palácios da monarquia, estão aos montes no filme, que mostra como a família real e o primeiro-ministro Tony Blair lidaram com a morte da princesa Diana, em 1997.

Talvez o esforço de Frears tivesse sido em vão, perdendo-se na caricatura, não fosse o brilho da atriz, que fugiu da tentação simplista de imitar os trejeitos corporais da personagem. Mirren dá a sua visão sobre um símbolo que, de repente, se vê perdido no tempo e no espaço.

Mais do que pelo fato de já ter interpretado duas rainhas anteriormente - o papel-título da série “Elizabeth I” (2005) e a rainha Charlotte, em “As Loucuras do Rei Jorge” (1994) -, Mirren parecia a escolha natural para o papel devido ao currículo exemplar que vem cultivando desde sua estréia nos palcos, em 1965, como Cleópatra - ela que depois integraria a trupe de Peter Brook.

Mirren coleciona uma galeria de mulheres fortes - como a chefe de polícia na série “Prime Suspect” (iniciada em 1990) - e com intensa sexualidade, algo mais explícito no pornô-mainstream “Calígula” (1979) ou em “Garotas do Calendário” (2003). A idade não interferiu na sua imagem de mulher sexy.

Recente reportagem do jornal inglês “The Guardian” faz questão de enfatizar que Mirren topou dar a entrevista desde que o repórter fosse um homem. O texto lembra ainda que, anos antes, a atriz havia dito que punha o despertador para tocar bem cedo, de modo que transar com seu parceiro - o diretor Taylor Hackford - fosse a primeira atividade do dia. Sexo à parte, Mirren construiu seu personagem em “A Rainha” tendo como base pesquisas em arquivo mas também um encontro-relâmpago, de quase 20 segundos, com Elizabeth II, durante uma partida de pólo.

“Ela é charmosa e adorável”, comentou a atriz. Qualidades que conseguiu transparecer em “A Rainha”.

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