Sem acesso a opções de lazer nos locais onde vivem, muitos jovens da periferia acabam se envolvendo com formas perigosas de diversão nos finais de semana. Para adultos e idosos, o comportamento dos adolescentes é motivo de preocupação.
“Aos sábados e domingos, isso aqui vira uma baderna”, garante a funcionária pública Maria Aparecida de Sá, 62 anos, moradora do Núcleo José Regino, zona leste da cidade. De acordo com ela, nos finais de semana é comum encontrar jovens ociosos pelas ruas do bairro.
“Eles ficam nas esquinas sem ter o que fazer”, diz ela. Se a “diversão” dos adolescentes se restringisse apenas ao ato de ficarem parados na calçada, conversando, talvez Sá nem se preocupasse com a presença deles.
Na maioria dos casos, porém, não é isso que ocorre, garante a funcionária pública. “O que mais se vê por aqui é moleque menor de idade bebendo, usando droga ou dirigindo sem carteira de habilitação. Isso não é da minha conta, mas acho que os jovens deveriam buscar um divertimento mais saudável”, pensa Sá, que já é avó.
Os netos dela vivem no Núcleo Mary Dota, zona norte de Bauru. “Lá também não há muito o que se fazer nos finais de semana”, reconhece. Na opinião dela, projetos socioeducativos poderiam sanar a carência de lazer nas áreas periféricas da cidade. “Se a gente for analisar, aqui não tem opção de diversão para ninguém: nem jovem, nem criança e nem idoso”, diz.
Os moradores dos bairros periféricos que têm filhos adolescentes são os que mais sofrem com a falta de alternativas seguras de diversão. Iraci Ribeiro da Silva mora no Jardim das Orquídeas e tem três filhos adolescentes. O mais velho, Robson, tem 17 anos e já costuma sair de casa com os amigos.
“Não quero que ele se envolva com coisas erradas. Sempre tento dar uma ‘segurada’ nele, mas é difícil”, reconhece. De acordo com ela, o adolescente chegou a freqüentar uma “bailão” aos finais de semana. “Funcionava aqui perto. Ele ia contra a minha vontade, pois penso que aquilo não era ambiente para um adolescente”, diz. Para alívio dela, o estabelecimento acabou fechando, meses atrás.