Bairros

Cultura quer priorizar os bairros

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 2 min

Nos últimos dois anos, a oferta de projetos públicos voltados para a periferia de Bauru tem sido insipiente. Esta avaliação é do próprio secretário municipal de Cultura, José Augusto Ribeiro Vinagre. “Nosso trabalho ficou muito concentrado no Centro Cultural (na avenida Nações Unidas). Nossa intenção, de agora em diante, é priorizar o trabalho nos bairros”, explica ele.

No presente momento, o município conta com apenas dois projetos culturais voltados especificamente para as áreas periféricas: o Ouro Verde 100% Arte, que atende atualmente cerca de 30 jovens do bairro da zona sudoeste da cidade, além de um outro, feito em parceria com a Organização Não-Governamental (ONG) bauruense Quilombo do Interior, que atua em diferentes locais da cidade.

Mas a secretaria está elaborando um programa que pretende reverter esse quadro. Com nome provisório de “Cultura nos Bairros”, o projeto está recebendo inscrições de artistas que pretendem desenvolver trabalhos voltados para os moradores da periferia.

Vinagre evita falar em números e datas, mas garante já ter sido procurado por diversos profissionais interessados em atuar no programa. A atriz bauruense Marisa de Oliveira, 29 anos, é uma dessas pessoas. Ela enviou duas propostas de trabalho para a secretaria.

“Uma é para a realização de oficinas de teatro com os moradores dos bairros. A outra é de montagem de apresentações em locais alternativos da periferia, como praças e centros comunitários”, explica.

Oliveira é atriz há cerca de dez anos e sempre preferiu se dedicar ao trabalho nos bairros. “Nunca quis atuar no Centro Cultural. Acho que artista tem de ir aonde o público está”, pensa.

Em ocasiões anteriores, ela também desenvolveu projetos voltados para os moradores da periferia. “Em 2002, organizei uma oficina de teatro no Jardim Vitória, que atendia cerca de 20 pessoas”, recorda. Na opinião dela, esse tipo de iniciativa é importante, pois ajuda a aproximar as populações carentes da arte.

“A maioria dos moradores da periferia nunca foi a um teatro. Em geral, isso ocorre porque essas pessoas não tiveram oportunidade”, pensa. Oliveira acredita que essa aproximação colabore para transformar a dura realidade existente na periferia de Bauru.

“Precisamos desenvolver esse trabalho com verdade. Temos de chegar até esses bairros com a coragem de olhar nos olhos dos moradores. Só assim seremos capazes de plantar a semente da mudança nesses locais”, conclui.

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