Um dos principais corredores de tráfego da cidade, a avenida Castelo Branco transformou-se numa tremenda dor de cabeça para os motoristas nos horários de pico. A pista simples não consegue mais dar vazão à grande quantidade de veículos que saem do Centro em direção aos bairros Vila Independência, Vila Ipiranga, Jardim Ouro Verde e Parque Sabiás, entre outros.
A avenida é utilizada também para quem vai ou vem de Piratininga, das Faculdades Integradas de Bauru (FIB), que tem mais de 2 mil alunos, e também é um dos caminhos que levam ao Recinto Mello de Moraes. Em dias de shows de artistas consagrados, como foi na quinta-feira, o trânsito fica insuportável. “A quantidade de ônibus é muito grande. Eles param o tempo todo nos pontos e o trânsito pára junto porque não tem como ultrapassar”, relata o técnico de informática Anderson Leandro da Silva, 31 anos, que passa todos os dias pela avenida.
O capitão Flávio Jun Kitazume, responsável pelo trânsito na região Oeste da cidade, também aponta a Castelo Branco como um dos pontos críticos. Segundo ele, é a avenida que apresenta o maior índice de acidentes na região Oeste. As principais ocorrências são as colisões frontais provocadas por motoristas que fazem ultrapassagens precipitadas por causa da pressa.
Na opinião do policial, é preciso estabelecer uma rota alternativa para os ônibus o mais rápido possível. “Se isso for feito, diminui em 50% o fluxo de veículos na avenida”, diz Kitazume.
A presença dos ônibus nas avenidas mais movimentadas da cidade é criticada também por quem vive do transporte, como os taxistas e mototaxistas. “Para melhorar o trânsito em Bauru, a primeira coisa que precisa ser feita é criar um corredor exclusivo para os ônibus”, opina o mototaxista Anderson Luiz Baptista, 26 anos.
“Nos horários de pico é comum a gente estourar o tempo e perder a corrida. Não dá tempo de chegar”, reclama Antônio Freitas, 49 anos, dos quais 29 vividos como taxista. Para o também taxista José Roberto Manzato, 56 anos, as ruas Treze de Maio, Azarias Leite e Virgílio Malta, as três principais no escoamento do trânsito da Zona Norte para a Zona Sul ou vice-versa, passando pelo Centro da cidade, não deveriam ter estacionamento. “Isso, com certeza, melhoraria o fluxo de veículos. Mas dificilmente a prefeitura vai abrir mão da arrecadação com a Zona Azul”, afirma ele.
O transporte coletivo, aliás, é apontado pelo engenheiro de trânsito Arquimedes Azevedo Raia Júnior como um complicador. Segundo ele, o transporte coletivo em Bauru não têm a qualidade que a população exige. Por isso, optaram pelo transporte individual e lotaram as ruas da cidade de veículos pequenos.
“Quando a cidade faz uma opção pelo transporte individual e não investe nessa opção, o trânsito fica completamente congestionado, porque sua capacidade de escoamento é muito baixa”, comenta ele.
A solução para o trânsito em Bauru, na opinião do engenheiro, é melhorar o transporte coletivo para atrair mais passageiros e, com isso, tirar os carros de circulação.
“O desafio é atrair as pessoas para o transporte coletivo. Ainda mais agora que todos se mostram preocupados com o meio ambiente. É o momento de parar e pensar como mudar a matriz de transporte”, diz ele.