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Prefeitura e comerciantes divergem sobre adoção da Praça Rui Barbosa

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Um dos cartões postais de Bauru, a Praça Rui Barbosa está causando divergências entre prefeitura e integrantes da Associação das Empresas do Calçadão (AEC). Os comerciantes querem adotar a praça, desde que ela esteja reformada. Enquanto isso, a prefeitura avalia que a adoção é baseada justamente na idéia de desonerar os cofres públicos desse tipo de intervenção. Enquanto isso, freqüentadores da praça pedem mais atenção para o local.

Vice-presidente da AEC, Francisco Alberto de Bernardis, o Kiko, avalia que para os comerciantes adotarem a praça é preciso uma ampla discussão. “Devemos analisar uma série de critérios. Verificar se as empresas circunvizinhas aceitam, como ficariam os ambulantes, se a AEC pode explorar o espaço”, pontua. Para ele, o ideal seria que a prefeitura reformasse o espaço, oferecendo condições para a associação. Outro ponto levantado por Kiko são os gastos fixos, como os banheiros da praça. “A praça não é um pedacinho de grama apenas, ela é muito grande, com muitos dispositivos”, avalia.

Ele lembra que a prefeitura já divulgou diversas ações para a área e, de acordo com ele, nada de concreto foi realizado. “Cadê os R$ 80 mil que a prefeitura disse que seriam investidos na praça? E a iluminação?”, questiona. Porém, ele ressalta que os comerciantes não têm a intenção de investir em um lugar que não apresente condições. “A gente banca tudo e aí? Se fizerem coisas boas, nós também fazemos. Mas nós temos um limite. A AEC já cuida do Calçadão e das transversais”, aponta.

Ele também diz que a prefeitura nunca procurou os comerciantes para, juntos, pensarem numa proposta para a praça. A sugestão de Kiko é que seja feito um convênio entre a prefeitura e a associação e, depois de um ano, aconteça uma avaliação do que foi feito e uma possível continuidade.

Apesar da nova lei de adoção de praças e canteiros ter tornado o processo mais simples e sem burocracia, Rodrigo Agostinho, titular da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), aponta que não existem propostas oficiais para a adoção da Rui Barbosa. Sobre a oferta da AEC, ele avalia que a Semma está aberta a conversações, mas fez ressalvas quanto à reforma. “O grande lance da adoção é ajudar na manutenção e na restauração das praças. Se fizermos tudo isso, perde-se o propósito”, observa.

Além disso, Agostinho lembra que a preocupação da secretaria é em relação às 100 praças sem benfeitorias na cidade. “Eu tenho quase uma centena de praças que sequer foram urbanizadas, em bairros onde não existe praça alguma. Elas são prioridade”, afirma.

Agostinho ainda ressalta que a Rui Barbosa não está abandonada. “Estamos trocando a iluminação e reformando a fonte. Para o chafariz, falta só a troca do equipamento, mas o problema é que o vandalismo no lugar é grande”, aponta. Sobre a troca de lâmpadas, Agostinho afirma que em 30 dias elas serão substituídas. “Elas foram compradas, mas as da Praça Rui Barbosa vieram com outras especificações e mandamos trocar. Já recebemos as novas lâmpadas e logo elas estarão instaladas”, garante.

Ele ainda lembra que no final do ano passado, a Semma fez a poda das árvores, além da jardinagem dos canteiros. O secretário avalia que o principal problema do local é o piso. “Muitos eventos acontecem na praça. São feitas instalações, são colocadas tendas, abrindo buracos no chão”, observa.

O presidente da Câmara Municipal, Paulo Madureira (PP), revelou já ter enviado requerimento ao prefeito Tuga Angerami (sem partido) sugerindo a adoção da praça Rui Barbosa pela AEC. “Se eles passarem a tomar conta da praça, tenho certeza que os problemas desse local vão acabar”, frisou Madureira.

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