Mérida - O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, foi pressionado pelo México para relaxar as leis de imigração dos EUA ontem, no último dia do giro pela América Latina do líder americano.
O presidente mexicano, Felipe Calderón, insistiu para que Bush convença o Congresso dos EUA a aprovar uma lei para “reconhecer os direitos” dos milhões de imigrantes ilegais no país. “Eles são pessoas que trabalham e que respeitam aquele país.
Pessoas que pagam impostos, que cultivam os vegetais que você come, que o servem em restaurantes”, disse Calderón a Bush ao final de dois dias de negociações na cidade de Mérida.
Para Bush, o dia de ontem marcou o fim de um tour por cinco países que ele usou para tentar melhorar sua imagem e a dos Estados Unidos na América Latina, onde a guerra no Iraque e as políticas comerciais e de imigração americanas são profundamente impopulares.
Oposição
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, usou a visita de Bush para aumentar o tom das críticas e fazer suas próprias negociações em outros países latinos, em uma clara oposição ao presidente americano.
Bush se recusou terminantemente ontem a reconhecer a retórica antiamericana de Chávez, mas Calderón disse que está disposto a trabalhar com outros líderes latino-americanos.
“O México respeita a opinião de outros líderes”, disse Calderón, um conservador que também já teve suas desavenças com Chávez.
Apesar das expectativas de que Calderón seria um grande aliado de Bush na região, ele surpreendeu ao pressionar além do esperado pela reforma nas leis de imigração e pelo aumento do esforço de Washington para coibir a demanda por drogas nos EUA.
O mexicano expressou preocupação pelas violações dos direitos humanos dos imigrantes ilegais nos EUA e afirmou que uma nova lei terá de “reconhecer os direitos de imigrantes e trabalhadores”. Mais da metade dos estimados 12 milhões de imigrantes ilegais nos EUA são mexicanos.
Revisão da legislação
Bush disse que está empenhado a convencer membros de seu próprio partido a aceitarem a necessidade de uma revisão ampla da legislação sobre imigração, que deve incluir um programa de trabalho temporário em solo americano para imigrantes. Mas ele deixou claro que a anistia completa dos ilegais não é negociável.
Dezenas de ativistas protestaram ontem no centro de Mérida contra Bush, com gritos de “Parem a guerra do Iraque” e “Bush assassino”.