Washington - Pouco depois que o Pentágono admitiu pela primeira vez que o conflito no Iraque constitui uma guerra civil, o Senado dos Estados Unidos rejeitou ontem, após semanas de discussões, uma lei que propunha a retirada das tropas americanas do combate até março de 2008.
Com 50 votos contra e 48 votos a favor, a medida foi reprovada nesta Casa -para a aprovação, seriam necessários 60 votos a favor.
A medida não fazia exigências, mas sugeria o prazo de cerca de 12 meses para a volta dos soldados em combate no Iraque para os EUA. Ela foi divulgada na última semana, e imediatamente levou a Casa Branca a ameaçar vetar a proposta.
O início do debate formal foi possível anteontem graças a uma votação no Senado que aprovou por 89 votos a nove a discussão da medida.
A proposta foi apresentada pela maioria democrata no Senado e previa que a retirada das tropas americanas seria iniciada em quatro meses. Apesar do fracasso da medida, a discussão da lei impõe mais um golpe contra o presidente George W. Bush e sua estratégia cada vez mais impopular para a guerra do Iraque.
Bush se recusa a fixar um prazo para a retirada das tropas. Para a Casa Branca, a resolução “viola a autoridade constitucional do presidente como comandante-em-chefe das Forças Armadas ao impor um prazo artificial para a retirada das tropas americanas do Iraque, sem levar em consideração as condições do combate e as conseqüências da derrota”.
Debate na Câmara
Na Câmara dos Representantes, a oposição à guerra no Iraque alcançou uma vitória ontem. No Comitê de Apropriações da Câmara, a votação sobre uma proposta similar à do Senado sobre a retirada das tropas americanas do Iraque foi aprovada por 36 votos a favor e 28 contra.
Uma das medidas aprovadas no comitê se refere à liberação de gastos emergenciais de US$ 124,1 bilhões, incluindo US$ 95,5 bilhões para a continuidade da luta no Iraque e no Afeganistão em 2007.
A legislação aprovada ontem também fixa condições rígidas para a continuidade da guerra no Iraque pelos próximos 18 meses e prevê que o combate deverá terminar até setembro de 2008. A legislação deverá passar agora por uma votação com todos os deputados da Câmara na próxima semana. Mas, mesmo que ela seja aprovada nesta Casa, as perspectivas não são boas: após o fracasso de ontem dificilmente o Senado aprovará a medida, que pode enfrentar também um veto da Casa Branca.