Brasília - No momento em que costura os últimos ajustes da reforma ministerial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que ignorou a questão partidária ao definir os ministros da Educação e da Saúde de seu segundo mandato.
De acordo com o petista, foram utilizados os critérios da “competência” e da “capacidade” dos indicados. “Eu acho que tem duas coisas que são fundamentais no Brasil: educação e saúde. A gente não brinca, a gente não partidariza e a gente monta o governo com as pessoas que têm competência, com as pessoas que têm capacidade de montar um bom governo, porque, na saúde, se você brincar, é morte; na educação, se você brincar, é analfabeto”, afirmou.
Lula deu a declaração ao ser questionado sobre a opção de não entregar Educação ao PT paulista e tampouco dar a Saúde diretamente à bancada do PMDB na Câmara. Lula manterá o técnico petista Fernando Haddad na Educação e nomeará ontem na Saúde o sanitarista José Gomes Temporão, recém-filiado ao PMDB e apadrinhado pelo governador do Rio, Sérgio Cabral.
Em quase todos os outros ministérios, como na Integração Nacional e na Agricultura, o que prevaleceu foram os acordos políticos, troca de apoio.
Hoje, Lula dá início de fato às mudanças de peso no ministério, com a nomeação de três ministros de primeiro escalão. Além de Temporão, dará posse pela manhã, em cerimônia no Palácio do Planalto, a Tarso Genro (PT) na Justiça e a Geddel Vieira Lima (PMDB) na Integração Nacional.
Ontem, o presidente reuniu representantes dos 12 partidos que integram o chamado conselho político do governo - PC do B, PDT, PMDB, PP, PR, PRB, PSB, PSC, PT, PTB, PV e PAN. Prometeu a eles que até o final da semana que vem concluirá a “montagem do time” de seu segundo mandato no Planalto. Entre os aliados, o PDT deve ficar com a Previdência Social, PP, com Cidades, e PR, com Transportes. O PSB, por exemplo, espera a definição de Lula sobre a criação de um ministério para cuidar de portos e aeroportos.
Escolhido rebate acusações
O futuro ministro da Agricultura, Odílio Balbinotti (PMDB-PR), disse ontem que não se sente desconfortável em assumir o cargo mesmo respondendo a processos na Justiça. Após se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Balbinotti afirmou que sua posse está confirmada para a próxima semana.
“Se eu tivesse culpa, causaria (desconforto). Mas eu sou inocente. O presidente Lula não está preocupado porque a partir do momento que me chamou, estava consciente que o Balbinotti é correto e transparente”, disse o deputado. Balbinotti negou que o adiamento de sua posse no Ministério para a próxima quinta-feira seja conseqüência das denúncias. “O atual ministro está na Indonésia e chega na semana que vem. O anúncio já está confirmado”, afirmou.
A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) confirmou ontem que o governo está analisando as denúncias contra Balbinotti. “Nós estamos olhando essa questão. O presidente vai analisar e está tudo em aberto. Ainda não está fechada a reforma ministerial. É um processo que está sendo debatido dentro do governo”, disse.
O futuro ministro se reuniu ontem pela primeira vez com o presidente Lula, que não o conhecia pessoalmente mas confirmou a sua indicação antes mesmo do encontro.
Balbinotti é réu em dois processos no Supremo Tribunal Federal (STF). O peemedebista disse que vai divulgar ainda ontem nota oficial para explicar as denúncias. O presidente nacional do PMDB, Michel Temer, orientou os ministros do partido a atuarem de forma transparente no governo. “A responsabilidade pelo ministério é do ministro. Vou pedir que os ministros do PMDB tenham cuidado nas questões administrativas em seus respectivos ministérios”, afirmou Temer.
No total, o PMDB terá cinco pastas no governo. Além da Agricultura, o partido ganhou o Ministério da Integração Nacional e vai manter o controle dos Ministérios das Comunicações, Saúde e Minas e Energia.