Carlos Dêgelo foi demitido da presidência do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat). Solidários ao professor e advogado Dêgelo, que já atuou em Bauru, outros 22 integrantes do Condephaat também pediram demissão em protesto pela saída dele do cargo.
A decisão foi comunicada a Dêgelo pelo secretário de Estado da Cultura, João Sayad, que já nomeou Adilson Avansi de Abreu, que foi pró-reitor de Cultura da Universidade de São Paulo (USP), para o lugar de Dêgelo.
Bianchi justificou a medida alegando que o órgão necessitava de um presidente de perfil diferente, com história acadêmica e que apresentasse profundo conhecimento da área. O secretário estadual de Cultura também chegou a oferecer a Dêgelo uma outra função na pasta, convite que não foi aceito.
Especialistas do assunto advertem que a decisão pode gerar problemas à gestão do Patrimônio Histórico. O Condephaat tem uma pauta de 300 itens por mês, e há decisões rápidas que precisam ser tomadas na área de tombamentos, de reformas de imóveis a cortes de árvores em áreas protegidas.
O vice-presidente do Condephaat, Ulpiano Toledo Bezerra de Meneses, contestou duramente a demissão de Dêgelo e, em protesto pela decisão tomada por Bianchi, também se demitiu do cargo. Meneses considerou que foi a primeira vez que algo do gênero ocorreu na história do órgão e questionou que o fato representou uma afronta à idéia de políticas públicas.
O secretário estadual da Cultura também refutou uma suposta interferência do governador José Serra na decisão de demitir Dêgelo da função. A especulação dava conta de que Serra teria ficado insatisfeito com a decisão do Condephaat de aprovar a construção de uma torre próxima ao Museu de Artes de São Paulo (Masp).