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Moscas são as primeiras a chegar

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

Embora ainda não se conheça as espécies que fazem parte da fauna necrófaga de Bauru, algumas são velhas conhecidas de biólogos e peritos, como as moscas varejeiras, por exemplo. Não são todas as espécies, mas boa parte delas vêem nos cadáveres o local ideal para depositar seus ovos.

Segundo o professor e biólogo João Alfredo Carrara, as moscas possuem órgãos sensitivos que permitem sentir cheiro de sangue a quilômetros de distância. Muitas vezes, elas são as primeiras a “ficar sabendo” do crime.

“É a mesma coisa quando fritamos uma carne em casa. Elas aparecem não sabemos de onde”, compara. Mesmo em locais fechados, elas sempre aparecem e em pouco tempo.

De acordo com o bioquímico Wanderlei Cerigato, auxiliar de necrópsia do Instituto Médico Legal (IML) de Bauru, as moscas geralmente botam seus ovos no cabelo, em regiões onde haja bastante pêlos ou próximo aos orifícios do corpo. Depois que os ovos eclodem, as larvas entram nesses orifícios e começam a se desenvolver dentro do cadáver.

Elas permanecem dentro do corpo por um período que varia de cinco a oito dias. Depois disso, abandonam a matéria orgânica onde estavam instaladas para se transformar em um casulo e depois virar mosca.

Segundo o professor Arício Linhares, do Departamento de Parasitologia do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp, dependendo do tamanho e do peso dessas larvas, é possível ao entomologista forense dizer quantos dias elas têm. Portanto, há quanto tempo o corpo está exposto.

A semelhança disso com séries policiais de grande sucesso, como CSI (Crime Scene Investigation), Cold Case e outras não é mera coincidência. Isso porque o uso de insetos para desvendar crimes é uma prática bastante comum nos Estados Unidos e Europa.

“A polícia observa as características externas do corpo para determinar o tempo decorrido desde a morte. Analisa o grau de decomposição do tecido, se o cabelo está preso no corpo, o crescimento da unha e da barba, entre outros fatores”, comenta Linhares.

No entanto, quando passa mais de 48 horas desde a morte, o método bioquímico começa a ficar impreciso e a entomologia forense torna-se mais eficaz no fornecimento de respostas.

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