JC Criança

Hoje é dia de teatro!

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 3 min

Em menos de duas horas, Rafael Abrão, 15 anos, vive um caipira, um cantor de ópera, um ajudante e um rapaz metido. Impossível? Não se ele estiver fazendo teatro. Em cima do palco, atores e atrizes criam as mais diferentes personalidades e oferecem à platéia muitas oportunidades para imaginar. É justamente isso que desperta a paixão de Rafael, estudante do 1.º colegial do Preve Objetivo. Bastante extrovertido, ele conta que seu interesse pela arte vem desde a infância. “Adoro ver e fazer teatro! Há três anos faço aulas, e meus pais me apóiam”, diz.

A exemplo de Rafael, inúmeras crianças e adolescentes gostam não apenas de assistir como também de representar. Carolina dos Santos Garbelotti, 12 anos, da 7.ª série do colégio Fênix, por exemplo, começou na área participando de peças na escola e, há três anos, se matriculou em um curso teatral. “Eu adoro atuar e pretendo seguir carreira como atriz”, revela a menina. Dedicada às aulas, ela ensaia bastante para interpretar dois papéis no espetáculo “Buxixo”, nova produção do seu grupo de teatro. “Serei a Xuxa cover e também uma mulher zen”, conta.

Sua colega de palco, Thays Said Teixeira, 13 anos, aluna da 7.ª série do colégio Seta, compartilha com Carolina o mesmo amor pelo teatro. “Quando era menor, inventava cenas e apresentava em casa mesmo. Hoje, além de atuar, freqüento aulas e aprendi várias coisas sobre a história do teatro”, conta. Ela, que é fã do espetáculo “O Fantasma da Ópera”, dá vida a uma menina rebelde, um menino do gueto e um palhaço em “Buxixo”. “Essa é a minha terceira peça. O que eu mais gosto, no teatro, é poder ser outra pessoa, criar...”, aponta.

Ana Paula de Assis Cunha, aluna do 9.º ano da escola Viver, tem 14 anos, sendo sete deles dedicados ao teatro. “Quando estou interpretando me sinto livre e sempre tive o desejo de atuar”, conta ela, que já possui nove peças em sua trajetória. Atualmente, integra o elenco de “O Buxixo” vivendo dois papéis opostos: a dançarina Sheila Peres e uma garota “nerd” e bem comportada.

De acordo com Ana Paula, além da realização de um sonho, estudar teatro proporciona diversos benefícios para sua vida. “Minha forma de conversar e me comunicar com outras pessoas mudou, sem falar no aprendizado”, diz ela, que costuma conferir peças teatrais com freqüência. “Gostei muito de ‘Bailei na Curva’”, comenta.

Pedro Augusto Pila Furtado, 9 anos, da 4.ª série da escola estadual Silvério São João, também é fã de teatro. Tanto é que se matriculou em um curso. Ele já participou do espetáculo “O Fantástico Mundo da Imaginação” e conta que recebeu muito apoio da família para investir nos palcos. “Quando tinha 7 anos, eu e meu amigo Raul inventamos uma peça e apresentamos durante uma festa, em casa. Todos gostaram e minha mãe me disse: ‘Filho, por que você não faz teatro’?”, revela.

Estar no palco não é apenas para pessoas extrovertidas. O teatro, por exemplo, pode ser uma boa solução para superar a timidez. Foi o que aconteceu com Luiz Francisco Custódio da Cruz, 12 anos, da 6.ª série do colégio São Francisco de Assis. “Eu tinha muita vergonha de apresentar trabalhos na sala de aula e o teatro me ajudou bastante, minha comunicação com os outros melhorou”, revela. O menino, que começou a fazer curso de teatro ano passado, está empolgado com seu primeiro papel. “Serei um menino doidão em ‘Buxixo”, diz.

Para a atriz e professora de teatro infanto-juvenil Talita Neves, 22 anos, o teatro é uma importante ferramenta na construção do aprendizado, desenvolve a comunicação, espontaneidade e melhora o relacionamento com outras pessoas. “O teatro cria a idéia de grupo, estimula o trabalho coletivo e o respeito”, acrescenta.

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