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Inclusão?


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Atualmente, muito escutamos falar em inclusão escolar, pois há uma abertura favorecida pela mídia, principalmente televisiva, que acalenta e impulsiona a discussão sobre este tema de forma bastante positiva e valorosa. No entanto, estamos muito aquém de ter o que se pode chamar de uma escola inclusiva.

A Educação Especial vive um novo paradigma que aponta para perspectivas futuras, distantes da histórica segregação e exclusão, vivenciada pelos deficientes.

Contudo, apesar do notável avanço, a modalidade educativa chamada de “Educação Especial” ainda é muito mal compreendida, inclusive pelos profissionais da própria educação, que mesmo pensando estarem promovendo e aceitando este movimento, na verdade continuam tendo atitudes que em nada contribuem para a educação inclusiva.

Existe uma legislação pertinente, bem como políticas públicas e serviços que dão um suporte extremamente importante para a im-plementação efetiva da Educação Especial, mas esta só acontecerá de fato quando todas as pessoas envolvidas no processo educativo conhecerem e compreenderem o que é Educação Especial.

Incluir não é somente garantir a vaga escolar e dar acessibilidade ao aluno deficiente, consiste em muito mais do que isso, pois este aluno tem que fazer parte integralmente do grupo, para que se faça valer o direito ao conhecimento e as demais finalidades educativas proporcionadas pela escola, através de estratégias e recursos diferenciados que o possibilitem de ter o mesmo proveito o qual todos têm direito na formação acadêmica, também na formação para a vida. Na realidade, quando isso ocorre todos se beneficiam, uma vez que cada indivíduo possui uma identidade pessoal, marcada por peculiaridades únicas.

Erroneamente acredita-se que somente o “diferente” tem vantagens quando está em contato com uma turma heterogênea, quando na verdade, assim como cada aluno possui habilidades distintas e brilhantes em uma ou outra área de conhecimento, o deficiente possui uma capacidade incrível de adaptação, cujas habilidades podem se dar em situações inusitadas e criativas na solução de problemas, de forma que o ambiente educativo torna-se rico e o aprendizado acontece numa via de mão dupla.

Para que tenhamos uma sociedade democrática, longe de preconceitos e discriminação, temos que assumir tal postura principalmente dentro da escola, tendo em vista que o princípio de toda escola é justamente ser inclusiva e igualitária. Neste sentido, as barreiras que lá estão devem ser sanadas imediatamente através de um olhar que reconheça e aceite as diferenças.

No Brasil, inúmeros problemas, dentre os quais a desvalorização do magistério e a deficitária formação de professores culminaram num processo de baixa qualidade do ensino. E é sabido que sem o poder de transformação do indivíduo através da educação, só faz aumentar a marginalização, a violência, além de muitos outros problemas sociais que assolam nossa sociedade.

Tanto famílias, quanto educadores, sem sombra de dúvidas, desejam saber lidar com suas crianças especiais, mas para isso é preciso que se abram espaços que transformem a inclusão em consciência coletiva, desfazendo os entraves e o descaso, que possivelmente ocorram por falta de conhecimento.

Vez ou outra ecoam em meus ouvidos, dizeres como: não há jeito! A teoria é linda no papel, tudo isso não passa de utopia. Porém, na qualidade de educadora acredito fielmente que sem a utopia jamais haverá educação de qualquer tipo.

Assim, a discussão em tela, deve ter ênfase e espaço para publicações que possam acrescentar e divulgar a Educação Especial, a fim de otimizar e somar forças para um dia realizarmos o sonho de vivermos numa sociedade mais justa, e verdadeiramente democrática, de cidadãos críticos, reflexivos, participativos e conseqüentemente felizes.

A autora, Eliane Morais de Jesus Mani, é professora de Educação Especial da Rede Pública de Ensino em Bauru, pós-graduanda em Educação Especial

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