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Acesso ao Orkut é bloqueado em Pernambuco para evitar difamação

Por Da Redação | Com Folhapress e AE
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Recife - Há nove dias a população de Canhotinho, município a 223 quilômetros do Recife, no agreste, não tem acesso ao Orkut - página de relacionamentos na Internet, da empresa Google. O bloqueio, determinado pelo Ministério Público e acatado pela Justiça da comarca, visou diminuir o constrangimento de adolescentes - e suas famílias - que tiveram fotos suas usadas indevidamente e de forma difamatória.

A mãe de uma das meninas, de 14 anos, fez a denúncia, na semana passada a um promotor que constatou, na ocasião, fotos de pelo menos dez adolescentes da cidade.

Imediatamente, com o apoio do juiz da comarca, Marcos Vinícius, ele conseguiu tirar o site do ar, na cidade, com a ajuda do provedor local. “Foi uma medida emergencial, para evitar o mal-estar das adolescentes pelo menos no município onde moram”, afirmou.

A pedido do promotor, o juiz vai encaminhar ao Google, no Rio de Janeiro, determinação judicial para a retirada desta comunidade do ar. A Polícia Federal também foi acionada para investigar o caso.

Também desde a semana passada as lan houses de Canhotinho passaram a ser obrigadas a cadastrar todos os usuários, com informações sobre o horário de utilização da Internet e do computador usado por cada um deles.

Segundo Alexandre Bezerra, há suspeita de que o autor - ou autores - do crime tenha usado essas lojas para manter o anonimato. Com o controle, crimes semelhantes poderão ser rastreados com mais facilidade.

De acordo com o promotor, a comunidade usa imagens pornográficas, provavelmente tiradas da Internet, e palavras de baixo calão. Ele supõe que as fotos das adolescentes podem ter sido tiradas de páginas em que elas se apresentem - todas recatadas.

Suicídio

A Polícia Civil de Ponta Grossa, a cerca de 120 quilômetros de Curitiba, investiga a suspeita de que o estudante de Educação Física Thiago Roberto de Arruda, 19 anos, foi difamado e, posteriormente, induzido a cometer suicídio por integrantes de uma comunidade do Orkut chamada No Escuro Ponta Grossa. O corpo do rapaz foi encontrado no dia 5, na garagem de sua casa. Ele morreu por inalação de monóxido de carbono.

Segundo o delegado operacional de Ponta Grossa, Homero Vieira Neto, havia cerca de um ano que Arruda era alvo de difamação, calúnia e injúria por parte da comunidade do Orkut. “Diziam que essa pessoa não seria bem-vinda na sociedade em razão de sua opção sexual”, acentuou. No site de relacionamentos ele era chamado de pedófilo. “Disseram que pessoas desse tipo tinham que morrer, que não podiam conviver na sociedade.”

De acordo com amigos de Arruda, a pressão psicológica sobre o rapaz extrapolou o computador e ele era hostilizado na rua. Por isso, teria começado a escrever mensagens na Internet dizendo que se mataria. Integrantes da comunidade No Escuro Ponta Grossa souberam disso e passaram a encorajá-lo. “Deram-lhe a receita”, disse o delegado. Arruda colocou uma mangueira no cano de escape do carro, entrou no veículo, ligou o motor e morreu ao inalar o monóxido de carbono. “É até meio diabólico”, comentou Vieira Neto.

O delegado afirmou que serão levantados novos dados sobre o histórico de Arruda, que estaria passando por um quadro de depressão, contribuindo para o ato que cometeu.

Segundo o delegado responsável pelo serviço, Demetrius Gonzaga de Oliveira, é possível chegar-se aos autores da morte de Arruda. Serão analisados os contatos feitos pelo estudante por meio de correio eletrônico e, ao mesmo tempo, será solicitada a quebra de sigilo do Orkut.

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