Quem fica atento aos riscos assumidos pelos jovens quando eles associam álcool e direção tem mais motivos para se preocupar diante dos resultados de pesquisa divulgada recentemente. A Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) ouviu 1.034 universitários entre 18 e 30 anos, nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, e descobriu que 37% dos jovens dirigem quando bebem. Mesmo que não peguem o carro, 80% deles admitem que aceitam carona de amigos alcoolizados.
Mais dados: somente 12% dos estudantes declararam que, ao sair, combinam que um amigo ficará sóbrio para dirigir na volta. Assim, é fácil compreender por que 38% dos entrevistados têm colegas envolvidos em acidentes provocados por bebida.
Os jovens recorrem ao álcool para ficarem mais extrovertidos e, conseqüentemente, adquirirem confiança. No entanto, assim como ainda são inexperientes para a vida, também são inexperientes para beber e acabam ultrapassando os limites, contribuindo para tristes estatísticas. Exagero? Não, pois um levantamento realizado pela Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo é exemplo das conseqüências do trágico casamento direção-álcool. Os resultados comprovam que 42,7% dos acidentes seguidos de morte na cidade de São Paulo estão relacionados diretamente ao consumo excessivo de bebidas alcoólicas e que o perfil das vítimas era de homens jovens entre 20 e 29 anos.
Por mais que o público juvenil receba informações sobre os perigos decorrentes de beber e dirigir – seja por intermédio dos pais ou dos veículos de comunicação -, nunca é demais promover ações para debater o assunto. Aqui, sim, o excesso é necessário. Essa é uma das razões pelas quais o Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) se empenha há anos na realização do Seminário Nacional Antidrogas em faculdades e universidades, acreditando que a informação é a melhor estratégia de conscientização dos jovens. No ano passado, dez encontros em diferentes campi reuniram cerca de 3.500 universitários para ouvir especialistas sobre a importância da prevenção ao uso de drogas lícitas e ilícitas - entre as primeiras, principalmente o álcool. Promovidos desde 1997 em parceria com a Secretaria Nacional Antidrogas (Senad), órgão da Presidência da República, os seminários comprovam, ano a ano, que os ambientes educacionais podem ser eficientes meios de transmissão de informação e de formação, extrapolando o ensino acadêmico e auxiliando os jovens na transição para uma vida adulta cidadã e produtiva.
O autor, Luiz Gonzaga Bertelli, é presidente executivo do CIEE, da Academia Paulista de História - APH e diretor da Fiesp