Tribuna do Leitor

Abertura dos bingos


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Senhora empresária do Bingo Sem Limites! Quando li na coluna do leitor sua réplica, a principio acreditei que V. Sra. viria com duas pedras na mão, mas ao ler e prestando muita atenção nas suas palavras, percebi sua assertividade. Meus parabéns, seus argumentos foram sensacionais, sinceramente, fiquei comovido e arrependido por ter “cutucado a onça com vara curta”. Portanto, te peço desculpas pelas palavras da carta anterior. No final de sua réplica, V. sra. Informa que conhece uma pessoa em Bauru que além de ser dono de um bingo é presidente de uma entidade para crianças especiais, esta informação foi a gota d’água, apaga tudo que eu disse. De agora em diante, serei um fervoroso defensor das casas de bingo, já virei o cano da espingarda para outro lugar, ou seja: irei criticar somente os jogos bancados pela Caixa Federal. Quando eu ler ou ouvir dizer que em média apenas 5% dos lucros dos bingos são destinados para os clubes ou para fins assistenciais, direi com propriedade que é mentira e intriga da oposição, caso queiram confirmar, procurem se inteirar do assunto com a dona do Bingo Sem Limites.

V. sra. disse que bingo proporciona entretenimento para as pessoas e ajuda o esporte a crescer. Depois de sua afirmativa, acredito piamente, antes eu acreditava que era o inverso, por exemplo, que a maioria dos frequentadores entravam limpinhos e saiam suados e fedendo nicotina de cigarro, entravam com alguns trocados e saiam sem um tostão, pela sua veemência, passo a acreditar que os frequentadores entram e saem felizes, ainda na expectativa de voltarem (e sempre voltam) no dia seguinte.

Quando eu passar em frente de prédios abandonados, que antes eram cinemas, supermercados, indústrias etc, irei desejar e rezar para que algum empreendedor tenha a brilhante idéia de montar mais um bingo, dando empregos para mais de 100 funcionários e venha a presidir quantas entidades assistenciais que puder. Atualmente não resido em Bauru, vou em média seis vezes por ano, da próxima vez, quem sabe eu aceite seu convite e estando sua empresa de entretenimento funcionando normalmente irei me entreter um pouco, só não quero sair suado e fedendo a cigarros.

Por aqui vou encerrar o assunto, mesmo que pise no meu calo, não irei polemizar mais e nem responder, só digo a você e aos leitores que sou da classe média e pago mais imposto de renda do que muitos empresários ricaços que de alguma forma se beneficiam da “distribuição de lucros” e isentos de IR. Fui, só volto a escrever para criticar os jogos bancados pela CEF. Abraços.

Rinaldo Ricci - ex-bóia fria, ex-servente de pedreiro, ex-montador de automóvel, ex-office boy, ex-auxiliar de escritório, ex-aposentado, pescador e contador de histórias

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