Cultura

Quadrinho é coisa de gente grande

Adriana Fricelli
| Tempo de leitura: 3 min

Homem-Aranha, Superman, Motoqueiro Fantasma e outros personagens das histórias em quadrinhos andam se degladiando em críticas de jornais. O motivo: a invasão às telas de cinema. Além de provocar estrondos de arrecadação na bilheterias do mundo todo, o fenômeno tem desenfreado a procura pelo gênero que, de entretenimento infantil, passou à leitura “cult”. Essas e outras análises serão discutidas de hoje a domingo na 3.ª edição da Comic Fan Fest, Convenção de Histórias em Quadrinhos e RPG de Bauru e Região.

Para abraçar novos fãs e recepcionar os velhos, a feira deste ano será realizada na praça Rui Barbosa. Uma tenda de 500 metros quadrados foi montada no local para sediar palestras, workshops, animes e receber editores, chargistas, cartunistas, estudiosos e curiosos de quadrinhos. “Vamos facilitar o acesso do público, além de atrair pessoas que ainda não conhecem HQs”, diz o proprietário da loja Comic Shop QGHQ, Daniel Camerini.

A QGHQ e a Secretaria Municipal de Cultura são as responsáveis pelo evento. A organização cobrará como ingresso para cada atividade apenas a doação de um gibi em bom estado, que será incorporado ao acervo da Gibiteca Municipal.

O cenário de traços, personagens e histórias que têm movimentado o mercado editorial dos quadrinhos será ilustrado com três palestras agendadas para quinta-feira e sábado com artista e editores da Pixel, Panini e New Pop. As discussões vão abranger o mercado internacional de quadrinhos, as negociações sobre direitos autorais de publicação, além da divulgação de novos títulos.

Outra marca da edição deste ano será a atenção especial ao mangá, estilo de quadrinhos que tem crescido em todo o mundo. Para satisfazer o crescente público, uma programação especial foi montada para quinta-feira. “Principalmente crianças e adolescentes adotaram o mangá como leitura, deixando os outros títulos para um pessoal mais adulto. Apesar de não haver uma explicação clara, acredito que isso aconteça por ser leituras com início, meio e fim”, explica Daniel.

O restante da programação da Comic Fan Fest será preenchida com nomes gabaritados dos quadrinhos. Alguns vêm à feira pela primeira vez, como o cartunista Adão Iturrusgarai - autor das tiras dos caubóis gays Rocky e Hudson - e os desenhistas Greg Tochini, Renato Gudes, Nicolielo e Elza Keiko. Já o dono dos traços do rato Níquel Náusea, o cartunista Fernando Gonsales, e o desenhista Marcelo Campos voltam pela segunda vez à feira.

Feira cultural

No Brasil, existem aproximadamente 25 estabelecimentos especializados em histórias em quadrinhos, sendo 15 apenas no Estado de São Paulo. São essas lojas as maiores responsáveis por feiras destinadas ao gênero, que possuem um caráter muito mais mercadológico que cultural. Os números e a análise são do responsável pela Comic Shop QGHQ e um dos organizadores da Comic Fan Fest, Daniel Camerini.

Segundo ele, o evento realizado em Bauru se difere dos restantes justamente por seu caráter cultural. “Durante a feira também haverá venda, mas nunca chegamos a obter lucro. Fazemos isso por amor, pela vontade de propiciar à cidade a possibilidade de conhecer esses artistas, de trocar idéias com eles”, pontua.

Realizado pela terceira vez em Bauru, o organizador do evento espera receber um público aproximado de 12 mil pessoas; um quarto a mais do que o do ano passado. “Fomos prejudicados em 2006, porque na mesma semana a Prefeitura sediou outro evento - o Observatório Latino-Americano (OLA) - voltado para o mesmo público”, diz Daniel.

Confiante no sucesso da terceira edição, Daniel espera a indicação ao HQ Mix, considerado o Oscar dos quadrinhos, a exemplo do que ocorreu após a primeira edição. “Não ganhamos, mas concorremos como o melhor evento do gênero realizado no Brasil. Queremos voltar a ser indicados ao HQ Mix”, espera.

• Serviço

3.º Comic Fan Fest, de hoje a domingo, na praça Rui Barbosa, com visitação gratuita. Mais informações: (14) 3235-1072.

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