Botucatu - Respirar pela boca não é só um hábito como muitos pensam. Um estudo desenvolvido por pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu (100 quilômetros de Bauru) constatou que os portadores da síndrome do respirador oral necessitam de tratamento de multi-profissionais e a maioria ronca.
A pesquisa foi desenvolvida com 80 crianças, de 2 anos e 1 mês a 14 anos e 8 meses, atendidas no ambulatório de Imunologia Pediátrica. Desse total, 70 roncam durante o sono e 72% apresentam infecções das vias aéreas superiores.
A pesquisa, apresentada no XI Congresso Paulista de Pediatria, em março deste ano, no ITM São Paulo, teve como objetivo conhecer as principais características apresentadas pelo público alvo.
A síndrome do respirador oral devido a processos obstrutivos nasais carateriza-se por cansaço freqüente, sonolência diurna, fraqueza muscular, baixo apetite, xixi na cama (enurese noturna) e até déficit de aprendizado e atenção.
As principais causas são: rinite alérgica e outros tipos, além da hiperplasia das amígdalas e dos cornetos inferiores.
O estudo desenvolvido sob a coordenação do professor Antonio Zuliani mostra que os portadores da síndrome precisam de atendimento multidisciplinar, médico, biólogos, dentistas, fonoaudiólogos, ortopedistas e neurologistas, para não apresentar comprometimentos posteriores.
O professor explica que, dos 80 pacientes estudados, 64% eram do sexo masculino e 36%, do feminino. Desses, 84% foram amamentados pela mãe, 32% apresentavam otites de repetição, 72% infecções de vias aéreas superiores, 55% faringite ou laringite e 35% asma ou bronquite.
As crianças que respiram pela boca, segundo a pesquisa, preferem alimentos de consistência mole. “Mais precisamente 91,25% preferem alimentos moles, 55% preferem doce e 37,5%, salgado.”
Dos pesquisados, 65% chupam chupeta, 90% tomam mamadeira, 41,25% roem unham e 57,5% possuem hábitos parafuncionais.
Durante o sono, 87,5% dos respiradores orais costumam roncar, 77,5% são agitados, 58,8% têm apnéia do sono, 62,5% babam, 57,5% falam durante o sono, 22,5% são sonâmbulos, 43,75% apresentam bruxismo e 22,5 enurese noturna (xixi na cama).
Já no período diurno, as crianças pesquisadas são, em sua maioria, agitadas. “Mais da metade são agitadas, 40% são irritadas, 38,7% distraídas, 25% agressivas e 48,75% com labilidade emocional.”
Mais de 60% das crianças-alvo do estudo sofrem com alterações da voz (62,5%), 55% têm alteração da fala e 90% crescimento facial longitudinal. Alguns fatores externos contribuem para o agravamento da síndrome, como o acúmulo de poeira na casa, bichos de estimação, pelúcias e alguns são fumantes passivos. O respirador oral também tem dificuldade de aprendizado em 22,5% dos pesquisados.