Em mais uma etapa da operação Centro Seguro, que visa coibir pequenos furtos na área central de Bauru, policiais militares detiveram ontem pela manhã a moradora de rua Adriana Aparecida Trombini, 24 anos, com uma sacola com várias peças de roupas novas e chocolate furtados. A mulher, que está nos últimos meses de gravidez, admitiu aos policiais que havia furtado os produtos e um perfume, que havia vendido por R$ 10,00, dinheiro que trazia consigo.
Encaminhada ao 3.º Distrito Policial, ela foi presa. “Com base nas informações das etiquetas dos produtos, acionamos os responsáveis pelos três estabelecimentos furtados. Apesar de não terem percebido o furto, eles reconheceram os produtos e disseram que a moça sempre era vista rondando os estabelecimentos”, conta o delegado Silberto Sevilha Martins, titular do 3.º Distrito Policial.
Adriana foi autuada em flagrante por furto continuado, uma combinação dos artigos 155 (furto, que é subtrair coisa alheia) e 71 (crime continuado) do Código Penal. Ela seria recolhida à Cadeia Pública de Cabrália Paulista. A pena para furto é de um a quatro anos de reclusão, que pode ser aumentada de um sexto a dois terços por ser crime continuado.
À reportagem, ela disse que mora na rua desde os 9 anos, apesar de ter família adotiva em Bauru, no Jardim Eldorado. Afirmou que costumava vender balas nos semáforos, que nunca se prostituiu, mas admitiu cometer furtos. Contou que se acostumou a viver na rua apesar de seus parentes a aceitarem de volta em casa. Leia mais abaixo.
Jornal da Cidade - O que você fazia na rua?
Adriana - Viajava e ficava pedindo carona, mas não me prostituía.
JC - Você nunca pensou em voltar?
Adriana - De vez em quando eu voltada para casa.
JC - Eles não aceitavam que você ficasse na rua?
Adriana - Não. Eles queriam que eu ficasse com eles.
JC - Quando descobriu que estava grávida, você pensou em voltar a morar com seus pais?
Adriana - Esse é meu primeiro filho e até pensei nisso, mas acostumei com a rua.
JC - Você tem namorado ou vai criar o filho sozinha?
Adriana - Vou criar sozinha, mas com ajuda dos meus pais.
JC - Onde você ficou esses anos todos?
Adriana - Em casas abandonadas.
JC - Você tentou arranjar emprego?
Adriana - Eu vendo bala, essas coisas. Mas o meu problema é 155 (furto). Hoje fui presa por roubar um chocolate.