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Paralisação da PF não consegue acordo

Folhapress
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São Paulo - A paralisação dos policiais federais no País, que começou às 8h30 de ontem, deve terminar hoje, quando completarem as 24 horas previstas do protesto. Representantes da categoria se reuniram com o ministro Paulo Bernardo (Planejamento, Orçamento e Gestão), mas não chegaram a um acordo para o fim da manifestação.

Nos aeroportos de São Paulo, os protestos foram suspensos e a situação é normal. A categoria protesta contra o não-cumprimento de um acordo salarial fechado com o antecessor do ministro Tarso Genro (Justiça), Márcio Thomaz Bastos. Conforme o acordo - negociado em fevereiro de 2006 -, os policiais federais receberiam 60% de reajuste dividido em duas parcelas.

A Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) reclama que somente a primeira parcela de 30% foi paga. A segunda, prometida para dezembro de 2006, ainda não saiu. O ministro do Planejamento afirmou que o governo federal vai analisar a reivindicação de reajustes salariais e considerou o movimento “um pouco precipitado”. Ele negou que a promessa de aumento salarial tenha sido efetivada pelo governo. “Vocês não vão achar que nós saímos por aí prometendo reajustes para todo mundo. Nós queremos fazer isso avaliando aquilo que é reivindicado, se é justo. Se tem procedência a reivindicação, pode ser atendida, se nós tivermos também recursos para isso.”

Bernardo evitou comentar os percentuais de reajuste defendidos pela categoria. “É precipitado falar em percentual, nós temos que ouvi-los, eles têm que apresentar as reivindicações. Nós vamos ouvir e vamos fazer. O que nós estamos querendo na verdade nessa coisa de servidores públicos é ter um planejamento de mais longo prazo”, afirmou. Segundo levantamento da Fenapef, somente os policiais federais dos Estados de Alagoas e Santa Catarina não aderiram à paralisação.

Com o movimento, os serviços de investigação e de emissão de laudos periciais estão suspensos. Os setores de emissão de passaportes também está parado, exceto para pessoas que tem viagens marcadas para ontem e hoje. Com paralisação, pessoas encontram portão da Superintendência da PF em SP fechado. Em São Paulo, os policiais federais prometiam realizar uma operação-padrão - reduzindo o efetivo à metade - nos aeroportos de Congonhas, na zona sul da Capital, e de Guarulhos, na região metropolitana. Esperava-se que o movimento atrasasse embarques e desembarques e provocasse filas nos setores de imigração e liberação de produtos restritos. Porém, ainda pela manhã, o presidente da Associação dos Servidores da Polícia Federal de São Paulo, Francisco Carlos Sabino, anunciou que a operação-padrão havia sido cancelada por “respeito à população que tem sofrido com a crise aérea”.

Hoje, com o fim da paralisação, os policiais federais devem começar a fazer assembléias para avaliar o movimento. Há possibilidade de a categoria marcar uma greve geral. Segundo informações da Fenapef, as discussões deverão ser feitas em cada um dos Estados. Em Brasília, representantes das entidades que representam a categoria também devem se encontrar. Os peritos federais de São Paulo aderiram à paralisação de 24 horas. A produção de laudos está suspensa. Na Capital, há 60 peritos federais. Em todo o Estado, eles são 65.

De acordo com Alexandre Andrea, diretor da Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais em São Paulo, hoje, trabalham apenas os peritos incumbidos de apurar cenas de crimes que ocorrerem ontem, como uma ameaça de bomba em um prédio federal. Neste caso, eles poderão recolher impressões digitais e vestígios biológicos, mas as análises serão postergadas.

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