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Sistema aéreo brasileiro pára novamente

Folhapress
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Brasília - O sistema aéreo brasileiro parou novamente ontem, seis meses depois do início da crise dos aeroportos. Após se amotinar e passar o dia aquartelados e em greve de fome, os controladores de tráfego aéreo do Cindacta-1, em Brasília, decidiram no final da tarde de ontem cruzar os braços e paralisar o espaço aéreo nacional.

O resultado foi quase imediato: todas as decolagens do País foram suspensas, segundo a Infraero - em Congonhas (SP) e Tom Jobim (RJ), os escritórios locais diziam que os vôos da ponte aérea Rio-São Paulo e para o Sul estavam mantidos. Nos aeroportos pelo País, rapidamente filas começaram a se acumular, e passageiros em aviões foram desembarcados.

Os controladores reivindicam uma gratificação salarial emergencial, o fim de retaliações militares e garantias do processo de desmilitarização do setor. Eles se recusam a falar com oficiais militares e exigem a presença de uma “alta autoridade” do governo. Vetaram o ministro Waldir Pires (Defesa), e querem garantias diretas ou em nome do presidente Lula.

A maioria dos controladores é militar, o que significa que são proibidos pela Constituição de fazer greve. O paralisação começou às 18h40 em Brasília - responsável pelo Centro-Oeste e Sudeste, ou 75% do tráfego aéreo nacional. Os demais centros (Curitiba, Recife e Manaus) também aderiram.

Por volta das 19h, o governo caracterizou a situação como um “motim” e o comandante da Aeronáutica, brigadeiro-do-ar, Juniti Saiti, iria pessoalmente ao Cindacta-1, com a intenção de dar voz de prisão aos sargentos e tentar substituí-los por controladores militares não envolvidos na insurgência (que atuam na Defesa Aérea).

No início da noite, com a ausência do presidente Lula (que estava a caminhos dos EUA e deu orientações por telefone à Aeronáutica) e da ministra Dilma Rousseff (que fora para Porto Alegre), os ministros que sobraram em Brasília se reuniram no Palácio do Planalto. O encontro contou com Paulo Bernardo (Planejamento) e Franklin Martins (Comunicação Social). Participava ainda o chefe de gabinete de Lula, Gilberto Carvalho. Conversaram por telefone com Dilma e Walfrido dos Mares Guia (Relações Institucionais), que estava em Minas Gerais. O gabinete de crise pretendia contatar o presidente. A intenção era obter instruções para contornar a situação.

A decisão dos controladores era operar apenas os vôos que estavam no ar até os seus destinos originais e não permitir novas decolagens. As únicas exceções seriam para ambulâncias aéreas, emergências ou vôos de autoridades, que são acompanhados pela Defesa Aérea, outro setor do controle aéreo. A expectativa dos controladores amotinados, no início da noite de ontem, era que o espaço aéreo ficasse congelado em algumas horas e os aeroportos iriam acumular passageiros com vôos cancelados.

Não era possível dimensionar a extensão do caos, mas os efeitos esperados são mais graves que os piores dias da crise aérea, no dia 5 de dezembro, quando Brasília sofreu pane nas comunicações, e nas vésperas de Natal, quando cinco aviões da TAM foram tirados de operação.

Até as 19h, o índice de atrasos da Infraero era de 18% dos vôos com mais de uma hora de espera no País - algo normal para uma sexta desde o começo da crise. Ao longo do dia, porém, houve casos de atrasos de mais de quatro horas. Em Manaus, por exemplo, um vôo para Porto Velho (RO) ficou nove horas aguardando autorização para decolar. O primeiro aeroporto a sentir o impacto foi o de Brasília.

A Infraero anunciou pouco antes de confirmada a paralisação que todas as decolagens haviam sido suspensas, por “problemas com controladores”.

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