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Informação é melhor remédio contra câncer

Daiana Dalfito
| Tempo de leitura: 4 min

O combate a qualquer forma de câncer deve ser iniciado com o conhecimento. Muita gente acredita que ser portador da doença é estar sentenciado à dor e à morte. Estes, porém, são conceitos combatíveis, assim como o medo, as desfigurações decorrentes muitas vezes da doença e a procura por auxílio apenas quando os nódulos levam à dor por uma via simples, informação.

“Saber sobre a doença leva a um tratamento precoce e, conseqüentemente, a uma maior chance de cura e vida normal”, salienta o coordenador médico do Registro Hospitalar de Câncer – Hospital Amaral Carvalho (RHC-HAC), José Getúlio Martins Segalla. Para uma melhor investigação do câncer e aumento da informação, foi realizado um levantamento levando em conta dez anos de trabalho intenso no HAC, de Jaú, gerando o registro de mais de 31 mil novos casos de câncer mapeados a partir de prontuários médicos do hospital. Como resultado, o “Registro Hospitalar de Câncer” é o mais completo relatório epidemiológico sobre a doença já feito no Brasil e deve ser distribuído a 600 instituições de pesquisa e hospitais que oferecem tratamento oncológico – do câncer – no País.

O registro dos casos tem dois motivos centrais: acompanhar o paciente e caracterizar um balanço sobre o atendimento prestado, pontos positivos e necessidades do HAC, que podem servir como base para outras instituições. Saber quantos, quais e de que forma os pacientes foram tratados e como vivem posteriormente ao tratamento é importante para o controle e a cura da enfermidade, já que o câncer não é uma doença única. Segalla explica, que o mal ataca as células alterando sua estrutura de crescimento, tornando-o desorganizado. A complexidade dos tratamentos vêm desse caráter múltiplo da doença, já que o câncer ataca a unidade celular e, portanto, de maneira diferente para cada parte do corpo.

Um mapeamento de qual tipo de câncer mais acomete determinada população, qual é a forma mais manifestada em mulheres ou homens, idade, atividade profissional e hábitos de vida dos pacientes, podem ajudar a prevenção.

No Brasil, aponta o médico, as regiões Norte e Nordeste registraram um crescimento do número de óbitos decorrentes do câncer acima da média nacional. Foi um aumento de 45,2% em um ano nas regiões, contra 21,7% registrado em âmbito nacional. No mesmo período, de 1999 a 2001, a região Sudeste registrou uma queda de 16,9% no número de óbitos. Isso pode ser explicado pela falta de informação sobre a doença nas regiões Norte e Nordeste e um maior acesso ao conhecimento e a atendimento oncológico na região Sudeste, especialmente nas cidades de São Paulo, Jaú e Barretos.

Nos Estados Unidos, a comparação do avanço ou retração no número de casos de câncer é feita desde a década de 70. Levando em conta dois períodos de análise para os novos casos de câncer, vemos que a informação gera redução das mortes e aumento da cura: Entre 1975-1992, havia um aumento de 1,4% de novos casos de câncer por ano nos EUA, entre 1992 e 2003 esse número teve uma redução de 0,4% ao ano, isso indica e reafirma que o diagnóstico precoce desestabiliza a doença.

O registro vai ajudar o HAC a se tornar referência também para a pesquisa, mas sobretudo, vai ajudar a divulgar o tratamento empregado em Jaú. O Amaral Carvalho preconiza a atenção ao paciente e o cuidado com o enfermo e não em relação à doença. Dessa forma os conceitos de medo, dor, desfiguração e morte são desestruturados e trocados por conhecimento, vida, dignidade, reabilitação e qualidade de vida. “Através do RHC, podemos registrar e estudar os casos da doença, mas também, determinar treinamentos que visem o cuidado humanizado dos pacientes em outras instituições”, indica Segalla.

História e tratamento

O câncer é uma doença conhecida desde a antigüidade, há citações sobre ela na Bíblia e em papiros egípcios. Na Grécia, alguns tratamentos eram ministrados conta a enfermidade e foi de acordo com os gregos que a denominação “câncer” foi imposta à doença. “Câncer”, deriva do latim (oncos) que significa “caranguejo”. A palavra foi escolhida porque, assim como o animal, a enfermidade se “enterra” e “agarra” poderosamente ao corpo.

O Hospital Amaral Carvalho (HAC), centro de referência nacional no tratamento do câncer, nasceu como uma maternidade no início do século passado. A construção começou em 1916 e a inauguração aconteceu em 1932. Em 1960, o HAC torna-se referência cirúrgica estadual, década também que o hospital cria a primeira clínica de tumores do interior do Estado. Em 1970, a construção da ala oncológica do Hospital é iniciada.

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