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Página virtual levanta polêmica sobre o espaço público e o privado

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 4 min

A fronteira entre o extremamente privado e o absolutamente público é alvo de discussões e estudos no mundo todo. Paula Sibilia, doutoranda em comunicação e cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) analisou a relação entre os diários íntimos na Internet e a crise da identidade psicológica. De acordo com ela, todas as tendências de exposição da intimidade que proliferam hoje em dia – universo que inclui os reality shows, webcams, Orkut, entre outros recursos – vão ao encontro e prometem satisfazer uma vontade geral do público: “a avidez de bisbilhotar e ‘consumir’ vidas alheias”.

Neste contexto, destaca Paula, a privacidade individual corre o risco de sofrer vários abalos. “Cada vez mais, essas paredes outrora sólidas são infiltradas por olhares tecnicamente mediados, que flexibilizam e alargam os limites do dizível e do ‘mostrável’”, avalia. A especialista vai além e lança a polêmica: “Podemos dizer, simplesmente, que hoje o privado se torna público?” Ela levanta duas hipóteses para o dilema. Uma delas é aceitar que os blogs e vibeflogs são simples adaptações contemporâneas de velhas práticas, como o diário de papel.

Já a segunda tenta decifrar o que estas formas de comunicação trazem de novo e como interferem na atual formação histórica. Neste sentido, estes mecanismos contemporâneos podem refletir a atual cultura do espetáculo. “O fenômeno dos diários publicados na Web, com toda a sua parafernália de confissões multimídia, e as webcams, que transmitem ‘cenas da vida privada’ ao vivo durante as 24 horas do dia, fornecem um prisma privilegiado para examinar as novas tendências exibicionistas e performáticas que alimentam os atuais processos de identificação”, aponta Paula.

Para Maria Regina Momesso de Oliveira, doutora em lingüística e professora de comunicação da Universidade do Sagrado Coração (USC), quanto mais o ser humano se expõe, mais se sente aceito e importante para a sociedade. “Um grande exemplo é o Big Brother Brasil (BBB). Há dois lados, porém, nesta questão: não podemos dizer que isto é um mal ou um bem, tudo depende do uso que se faz e como a ferramenta é utilizada”, ressalta.

Embora ainda seja tênue a linha entre o público e o privado, a maioria dos blogueiros é unânime ao afirmar que o mundo atual e as pessoas em geral estão vendo e sendo mais vistas. “Hoje, não existe muito controle. Deveria ter, mas não há”, aponta o estudante Wagner Barbosa Viana dos Santos, 22 anos, dono de um vibeflog. Ele conta que criou sua página virtual há aproximadamente um ano.

“Coloco fotos minhas da galera e de festas que nós fomos. Algumas pessoas visitam a página e fazem comentários. Tento sempre manter atualizado. Tudo o que é on-line se tornou mais fácil”, diz. Wagner conta que, por meio do diário virtual, tem a oportunidade de conhecer mais pessoas e fazer amizades. “Fiquei sabendo do vibeflog através de amigos e entrei na ‘onda’. Resolvi fazer o meu e o tenho até hoje”, conta. Assim como Marcele e Gabriela, ele controla tudo o que é publicado. “Não falo abertamente da minha vida pessoal. Procuro postar mais fotos gerais, de festas”, detalha.

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Saiba mais

Big Brother Brasil: é um reality show que teve a sua primeira edição no Brasil realizada em 2002, exibido pela Rede Globo. É um programa que consiste no formato de trancar um número de participantes dentro de uma casa cercada de câmeras em todos os ambientes, sem nenhuma conexão com o mundo exterior. Os participantes não podem falar com seus parentes e amigos e também não podem ler jornais ou usar de qualquer outro meio para obter informações externas.

Second Life: é um simulador da vida real, em um mundo virtual totalmente 3D, onde os limites de interação com o game vão além da sua criatividade. Nele, além de interagir com jogadores de todo o mundo em tempo real, é possível também criar seus próprios objetos, negócios e até mesmo personalizar completamente seu avatar, tudo em modelagem 3D.

Webcam: é uma câmera de vídeo de baixo custo que capta imagens, transferindo-as de modo quase instantâneo para a área de trabalho do computador ou para uma página de Internet. É muito utilizada em videoconferências. Geralmente possui baixa qualidade de imagem e ausência de som.

(Fonte: www.pt.wikipedia.org)

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