A Polícia Militar (PM) apreendeu ontem em uma casa no Parque São Geraldo, em Bauru, 160 pedras de crack prontas para serem vendidas e uma grande porção da mesma droga, totalizando 90 gramas. O motorista Renato Gama Simões, 35 anos, conhecido como Tubarão, ex-policial militar, foi preso por tráfico. O que chamou a atenção dos policiais foi um engenhoso esquema para venda do entorpecente, no qual o usuário pegava a droga em um cano e no local deixava o dinheiro.
Segundo a PM, um cano instalado no muro, entre a casa e a rua, era usado para entregar a droga aos usuários. “A droga era colocada pelo lado de dentro e o comprador retirava parte do cano por fora, pegava o crack e passava o dinheiro”, explica o capitão Válter Luís Sales Gonçalves, comandante da 4.ª Companhia da PM.
A maior quantidade de crack apreendida estava escondida em um sofá, segundo o tenente Roger Marcel Vitiver Soares de Souza, comandante da Base Norte da PM. Outra pequena quantidade da droga foi achada dentro do cano que liga a casa de Tubarão com a rua. Além do crack, foram apreendidas duas balanças para a pesagem da droga, três celulares, dois CD-players automotivos, um cachimbo usado para fumar crack e R$ 60,00 em espécie.
A PM recebeu denúncia de que ocorria tráfico de drogas no local pelo telefone 190 e agiu imediatamente. Na casa onde estava a droga, os policiais encontraram Natali Wieck, 23 anos, dormindo no sofá. A polícia informou que teve dificuldades para acordar a garota, que parecia dopada. Ela foi indiciada como usuária.
A PM informou que o local era um ponto de venda de drogas investigado há algum tempo. O tenente Roger explicou que a polícia só esperava uma denúncia mais consistente para agir. “Tubarão” foi recolhido à Cadeia Pública de Avaí e vai responder inquérito por tráfico, crime cuja pena prevista é de cinco a 15 anos.
Ele tem antecedentes criminais e, ao ser preso em flagrante, disse: “Só porque acharam a droga num cano quebrado na rua a culpa é minha? É outra casa, não tenho nada a ver com isso”, alegou. As casas não têm divisão entre si.
Ex-policial
‘Tubarão’ contou que é motorista, mas antes era policial. “Fiquei na PM cinco anos, saí em 1994 porque era muita podridão”, disse, afirmando ter trabalhado em São Paulo na Rota, Tropa de Choque e no Carandiru. De acordo com o capitão Valter, ele realmente foi policial militar na Capital e saiu da corporação após pedir demissão.
Após a prisão de Tubarão, a cadela Sandy, do Canil do 4o Batalhão da Polícia Militar do Interior, fez uma busca pela casa, mas não encontrou mais droga. A porção grande de crack apreendida renderia cerca de 180 pedrinhas que, no mundo do tráfico, valem R$ 10,00 cada uma.