Marília - Depois de passar por um período favorável, a cidade de Marília (100 quilômetros de Bauru) volta a amargar uma epidemia de dengue. Até ontem, o município contabilizava 609 casos autóctones confirmados além de 800 amostras colhidas aguardando resultado. O número excessivo de casos fazem com que Marília viva a pior epidemia da doença desde 2000 quando foram registrados 501 casos.
Para tentar conter a epidemia, a Vigilância Epidemiológica da cidade desencadeou uma série de atividades, explica o coordenador da divisão de zoonoses, Lupércio Lopes Garrido Neto.
“Desde a confirmação do primeiro caso que seis equipes de nebulização trabalham nas áreas afetadas. Cerca de 333 agentes de saúde fazem buscas de sintomáticos e criadouros.”
Uma faxina de emergência também foi realizada na semana passada no perímetro urbano. “Recolhemos 548 toneladas de material inservível.”
Mesmo com todo esse esforço, a cidade continua sofrendo com a epidemia, confirma o coordenador. “A doença já se espalhou pela cidade toda. As áreas mais críticas são Zona Oeste e Sul. Na Oeste, o bairro Chico Mendes é o mais crítico.”
Segundo Neto, o município investe nas buscas, tanto de sintomáticos quanto de criadouros. “São 333 agentes trabalhando nas buscas. Toda pessoa com sintoma compatível é encaminhada para a unidade de saúde, por isso temos 800 amostras coletadas aguardando confirmação.”
A maior epidemia
Desde o ano de 2001, que Marília vivia uma situação confortável diante da dengue. “A maior epidemia registrada tinha sido em 2000, com 501 casos. Nos anos seguintes mantivemos uma média de quatro casos ao ano. Em 2004, não registramos casos e, no ano passado, tivemos quatro.”
Em um ano, a cidade pulou dos tímidos quatro casos para 609. “Estamos vivendo a maior epidemia de dengue da nossa história.”
Ele ressalta que em função do grande número de doentes, o horário de serviços dos agentes foi alterado. “Eles estão fazendo seis horas corridas, coletando material dos suspeitos e verificando os locais com criadouros.”
Soma de fatores
A explosão de dengue na cidade de Marília foi o resultado de uma soma de fatores na opinião de Neto. “Nos anos anteriores vivemos uma situação confortável e a população passou a entender que dengue era uma situação superada. Relaxou e tivemos essa explosão de casos, apesar dos avisos feitos pela Vigilância”, lamentou.
Outro fator que influenciou, na opinião do coordenador, foi o registro, no ano passado, da maior infestação de dengue no Estado de São Paulo, desde 2002. No entanto, tivemos apenas quatro casos.”
A epidemia de dengue no Estado do Mato Grosso do Sul também pode ter cooperado com a situação em Marília. “Em São Paulo também está tendo uma epidemia importante. Aqui temos muitos estudantes”.
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Principais focos
Latas, potes, frascos, pratinhos sob vasos e bebedouro de animais são possíveis focos. Descartar material em local inadequado, jogar embalagem em terrenos ou deixar lata no quintal pode dar problema.
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Relaxo comprometedor
O relaxo da população em relação ao material inservível foi o item mais importante na explosão da dengue em Marília. “O último índice de Bretau já apontava para uma epidemia, de 4% a 19%, que significa que de cada 100 imóveis visitados, 19 tinham focos do Aedes. Alertamos a população, mas não resolveu”, disse o coordenador de Zoonoses, Lupércio Garrido Neto.