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Motim permitido


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A república de fundamento sindical que o governo do presidente Lula faz vigorar envereda agora para um perigoso beco. Ao promover a quebra da hierarquia e disciplina na Aeronáutica – através impunidade garantida aos militares controladores que, amotinados, cometeram crimes capitulados no Código Penal Militar – fica aberto o precedente para que militares das duas outras armas e também os das Polícias Militares estaduais façam suas reivindicações salariais e profissionais através do aquartelamento e da ausência no trabalho. Se isso acontecer, pára o país e não haverá governo capaz de segurar a crise, mesmo com todo tino de negociação, que poderá ser confundido com fraqueza.

O presidente Lula não deve se esquecer de que, embora muitos não se agradem disso, as Forças Armadas são a garantia das instituições e da soberania nacional, e não podem prescindir da hierarquia e da disciplina. Por isso, não pode permitir, nem por um instante, que a crise dos controladores de vôo ganhe os contornos da dos fuzileiros navais de 64. Seria a triste reprise de um grave momento histórico cujas conseqüências todos gostaríamos de esquecer.

O autor, tenente Dirceu Cardoso Gonçalves, é presidente da Associação dos Policiais Militares do Estado de São Paulo - Apomi - e-mail: apomi2@terra.com.br

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