As explosões, ouvidas a quilômetros da loja de fogos, espalharam rastro de pânico e destruição pelas imediações. Quatro carros estacionados próximo ao local tiveram os vidros estilhaçados em virtude do deslocamento de ar. O veículo da empreiteira que presta serviços à CPFL também foi atingido por parte do muro do imóvel, que desabou sobre a calçada.
Já o automóvel Gol de Maria de Fátima Ostti, proprietária do prédio e dos fogos estocados, foi totalmente consumido pelo incêndio. Prejuízos também foram lançados sobre a vizinhança. A vitrine de uma loja foi destruída e a janela de uma outra residência caiu. O muro e o portão da frente da casa de Lourdes Moraes também foram por terra.
Vizinha de muro da loja de fogos, ela viu o vidro da janela dos quartos e das salas voarem. Até parte do teto caiu. “Falei que era muito perigoso. Eu queria ter ido na prefeitura para saber se ela (a proprietária da loja de fogos) tinha autorização para comercializar, mas é muito longe e eu não consigo andar. Ninguém me ajuda”, diz. No total, dez pessoas procuraram o 2º Distrito Policial para registrar danos.
Somando todas as avarias, inclusive móveis e utensílios dos moradores dos apartamentos, os prejuízos podem chegar a R$ 100 mil, conforme estimativas modestas. Muitos imóveis próximos chegaram a tremer durante as explosões. Entre eles, o da clínica onde trabalha a cirurgiã dentista Edna Carrascosa.
Ela e uma vizinha, inicialmente, imaginaram tratar-se de um atentado contra o 2º Distrito Policial, localizado a uma quadra da casa de fogos. Por conta do susto, Edna teve de interromper um tratamento dentário. Funcionários do Departamento de Água e Esgoto (DAE) que estavam no local procedendo um reparo também tiveram de sair correndo para não serem atingidos pelos destroços.
Mais de uma hora depois, um deles ainda não havia se recuperado do susto.
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Cão sobrevive
Também sobreviveu às explosões de ontem o cãozinho Stort, da raça lhasa apso. Adotado pela proprietária da loja de fogos Maria de Fátima Ostti, ele foi retirado dos escombros do imóvel pelo Corpo de Bombeiros. Molhado e sujo, foi rapidamente atendido em uma clínica veterinária.
No acidente de ontem, os estragos só não foram maiores porque os fogos não explodiram simultaneamente, explica o comandante interino do 12.º Grupamento de Bombeiros, major José Guerxis Aguiar. Ainda assim, com o deslocamento de ar, parte das bombas foi lançada para a rua.
“É uma observação óbvia que o armazenamento de fogos de artifício, principalmente de explosão, tem que ser feita por especialista para não colocar em risco a vida de pessoas num raio de 50 metros. No final das contas, o saldo foi positivo (de apenas dois feridos)”, avalia o capitão Jorge Duarte Miguel, coordenador operacional do 4º Batalhão.