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Lula nega saída de Pires da Defesa

Por Gabriela Guerreiro | Folhapress
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Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva negou ontem a substituição do ministro Waldir Pires do comando da Defesa. “O ministro vai continuar no cargo. Ministro sou eu que ponho e eu que tiro. Eu que escolho. Se um dia eu tiver que tirá-lo, eu tirarei. Por enquanto, não é essa a questão”, disse ele após almoçar com o presidente do Equador, Rafael Correa.

Senadores do PT que participaram de um jantar anteontem à noite com Lula disseram que o presidente havia sinalizado a intenção de trocar Pires. O presidente teria avaliado que Pires já fez o que podia para tentar contornar a crise no setor aéreo.

Lula disse ainda que pretende convocar o Conselho de Defesa Nacional nos próximos dias para discutir uma espécie de Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para reequipar as Forças Armadas. O PAC das Forças Armadas reuniria uma série de ações para valorizar a Marinha, Exército e Aeronáutica.

O Conselho de Defesa Nacional - órgão consultivo da Presidência da República - é formado pelo vice-presidente da República (José Alencar), pelos presidentes da Câmara (Arlindo Chinaglia) e do Senado (Renan Calheiros), e pelos ministros da Justiça (Tarso Genro), Relações Exteriores (Celso Amorim), Fazenda (Guido Mantega) e Planejamento (Paulo Bernardo), além dos comandantes do Exército (Enzo Pery), Marinha (Júlio Soares de Moura Neto) e Aeronáutica (Juniti Saito).

Com esse plano, Lula quer se antecipar às críticas que serão feitas ao contigenciamento de recursos nas Forças Armadas, que provocaram problemas como a crise do setor aéreo.

No encontro, Lula disse ainda temer que a CPI do Apagão Aéreo exponha as deficiências da Aeronáutica. Aos senadores, Lula teria afirmado que o País não ganhará nada com a “exposição desnecessária” das fragilidades da Aeronáutica, algo inevitável numa CPI política.

O presidente observou que há problemas sistêmicos - como a fragilidade dos equipamentos - que o governo vem resolvendo com investimentos e que não deveriam ser expostos. Lula sinalizou que não irá proteger o deputado Carlos Wilson (PT-PE) - que comandou a Infraero no seu primeiro mandato - ao informar que o governo está investigando os contratos do órgão, por meio da Controladoria Geral da União (CGU), e esclareceu não ser este o motivo de sua apreensão com as investigações. Com relação às denúncias nos contratos da Infraero, o presidente disse que certamente a oposição irá focar a CPI neste assunto, mas que isso não o preocupa porque o governo está investigando.

Para ser instalada, a CPI depende de decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que analisa mandado de segurança assinado pela oposição. O mandado pede a instalação imediata da CPI. A alegação é que a minoria tem o direito constitucional de propor uma comissão de inquérito.

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