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Dr. Automóvel: Suspensão

Consultoria: Marcos Serra Negra Camerini*
| Tempo de leitura: 4 min

Para efeito de dimensionamento da suspensão, consideram-se duas massas do veículo: suspensa e não suspensa. Como massa suspensa considera-se tudo aquilo que estiver acima das molas, como carroceria, motor, câmbio, bancos, e o restante são as massas não suspensas, como rodas, pneus, eixos, etc. Consideram-se ainda outros fatores, como potência e torque do motor, aplicação do veículo (passageiros, carga, competição), tipo de piso (asfalto, terra batida, off road), grau de conforto desejado, frenagem, enfim uma gama enorme de fatores que influenciam no dimensionamento de uma suspensão.

A suspensão é um conjunto de peças articuladas, fixas ou móveis que permitem o movimento oscilatório longitudinal ou lateral do veículo, assim como o movimento relativo de cada roda em relação à carroceria e ao solo. Basicamente a suspensão é composta de suportes, braços, buchas, amortecedores e molas. Obviamente cada uma delas é desenhada para uma função específica em um determinado modelo de veículo e as peças são geralmente únicas. Desta forma é muito difícil usar-se peças de um carro em outro, em caso de adaptações, pois mesmo que sejam parecidas podem dar respostas dinâmicas diferentes, algumas vezes com conseqüências trágicas.

Vamos ver um exemplo: um carro andando a 120 km/h, ou seja, 120 mil metros a cada 60 minutos, ou seja, 2.000 metros por minuto ou 33,3 metros por segundo, já pensou nisso? Por isso que uma bobeada ou falta de atenção de apenas 1 segundo a 120 km/h faz com que você percorra mais de 33 metros sem controle, daí os acidentes. Onde isto tem a ver com a suspensão? Muito simples, pois a suspensão é um sistema mola-amortecedor, e como tal tem um tempo de resposta próprio. Em alta velocidade, este tempo de reação pode ocasionar desequilíbrios dinâmicos que podem afetar a segurança e o controle do veículo.

É o caso típico de troca de molas e amortecedores não adequados ou remanufaturados sem qualidade, rebaixamento de suspensão, corte de elos de molas (ai...), etc. e tal... O veículo passa a balançar de forma diferente à que foi projetado para suportar, e isto altera seu CG ou centro de gravidade em caso de aceleração, frenagem ou curvas, tornando-o totalmente instável e perigoso.

Muita gente pensa que rebaixar a suspensão por si só deixa o carro mais estável, e isto é uma prova de tremenda ignorância. Um carro de corrida é muito rebaixado, mas todo o sistema de suspensão foi calibrado para tal uso, por isso só corre em pista lisa de asfalto, por exemplo, sem valetas, buracos ou lombadas. A baixa altura livre do solo evita com que passe muito ar por baixo do chassi, melhorando a aerodinâmica a altas velocidades. Alta velocidade que eu digo é acima de 140 km/h, pois abaixo disso o ganho é muito pequeno.

Os carros de rua rebaixados dificilmente rodam a esta velocidade para usufruir dos benefícios aerodinâmicos, e só ficam com os malefícios da baixa altura livre do solo: raspam o fundo em rampas, valetas, lombadas, precisam andar devagar desviando de buracos, enfim, um carro certo para o lugar errado.

Já as buchas de suspensão sofrem desgastes com o tempo e que causam, no mínimo, barulhos dentro do carro. Mas o pior é que as folgas afetam a geometria da suspensão e, por conseqüência, da direção, causando instabilidades de trajetória a altas velocidades. Imagine o que uma folga de meio grau na suspensão dianteira pode causar a 120 km/h, pois a instabilidade direcional pode ocasionar um capotamento.

Suspensão é coisa muito séria e deve ser tratada com respeito, pois é um item de segurança. Nunca substitua peças por outras de marca duvidosa, remanufaturadas ou sem garantia de fabricante, pois o risco que corre é grande. Em adaptações, procure um especialista para auxiliá-lo no novo desenvolvimento. É mais seguro.

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Sugestões para a coluna e perguntas à seção Correio Técnico devem ser enviadas ao e-mail automerc@jcnet.com.br ou à redação do Jornal da Cidade, na rua Xingu, 4-44, Higienópolis. É obrigatório informar nome completo, RG, endereço e contato (telefone ou e-mail).

* Marcos Serra Negra Camerini é engenheiro mecânico formado pela Escola Politécnica da USP, pós-graduado em administração industrial e marketing e engenharia aeronáutica, com passagens como executivo na General Motors (GM) e Opel. Também é consultor de empresas e assina uma coluna na revista Quatro Rodas Nitro. Seu site é www.marcoscamerini.com.br.

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