Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se manifestou ontem a favor de o Congresso reajustar o seu salário e dos ministros com base só nas perdas recentes com a inflação. Lula quer evitar um provável desgaste político com a equiparação dos salários do primeiro escalão do Executivo com os salários de deputados e senadores. Levando-se em conta apenas a inflação, o salário do petista saltaria dos atuais R$ 8.885,48 para R$ 11.240,13.
Informado do posicionamento de Lula, o presidente da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), admitiu que poderá modificar a proposta em avaliação hoje na Casa. Anteontem, a Mesa da Câmara ratificou a decisão de aumentar em 26,5% os salários de deputados e senadores e equiparar o salário do presidente da República com o novo valor - R$ 16.250,00 um aumento de 83% em relação ao que Lula ganha hoje. Ontem, Chinaglia afirmou que o índice defendido pelo Planalto é o que deverá ser aplicado. “Evidentemente, o índice que o presidente anunciou será aplicado.”
O índice de reajuste em discussão no Congresso (26,5%) e que tem a simpatia de Lula representa a inflação (IPCA) acumulada entre fevereiro de 2003, data do último reajuste para os congressistas, e fevereiro passado. De acordo com o porta-voz da Presidência, Marcelo Baumbach, Lula “considera que o caminho mais correto é o da reposição salarial”. “Não se trata de prioridade do presidente Lula e não é um assunto importante na pauta do governo”, completou o porta-voz de Lula.
O eventual aumento do salário do presidente da República causaria um efeito cascata direto no Executivo. Ao mesmo tempo, o vice-presidente da República e os ministros também receberiam um aumento.
Hoje, eles recebem um salário mensal de R$ 8.362,80. Haveria ainda a necessidade de reajuste aos cerca de 20 mil ocupantes de cargos comissionados, cujos salários hoje variam de R$ 1.232,00 a R$ 7.595,00. Em diferentes discursos, Lula tem se queixado publicamente dos salários dos ministros.
Pesquisa
A aprovação ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva caiu 8 pontos percentuais de dezembro de 2006 para abril deste ano, segundo pesquisa CNI/Ibope divulgada ontem (veja quadro). Em dezembro, 57% consideravam o governo como ótimo/bom. Em abril, esse percentual recuou para 49%. A aprovação pessoal ao presidente Lula caiu de 71% em dezembro para 65% em abril, uma queda de seis pontos percentuais. No mesmo período, o percentual de desaprovação subiu de 23% para 29%.
A pesquisa CNI/Ibope foi realizada entre os dias 28 de março e 2 de abril com 2.002 pessoas de 140 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. A parcela da população que considerou o governo Lula ruim/péssimo evoluiu de 13% em dezembro para 16% em abril. No mesmo período, a avaliação regular subiu de 28% para 33%.
Outros levantamentos
De acordo com a pesquisa CNT/Sensus, divulgada na terça-feira, o governo federal foi avaliado de forma positiva por 49,5% da população, o terceiro melhor resultado verificado desde janeiro de 2003, início do primeiro mandato de Lula. E o desempenho pessoal do presidente Lula foi avaliado como positivo por 63,7% da população.
A pesquisa CNT/Sensus foi realizada entre os dias 2 e 6 de abril com 2.300 pessoas de 136 municípios das cinco regiões do País. Pesquisa Datafolha divulgada no mês passado mostrava uma queda de 52% em dezembro para 48% no percentual de avaliação ótimo/bom do governo Lula. A pesquisa Datafolha foi realizada entre os dias 19 e 20 de março em todo o País e ouviu 5.700 pessoas.